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Estreou em 1973 como repórter do Diário de Pernambuco, do qual foi redator e editor setorial. Foi editor-geral do Diário da Borborema-PB, Jornal de Hoje e Jornal de Alagoas. Foi colunista político e editorialista de O Jornal. Exerceu os seguintes cargos: Coordenador de Comunicação da Assembleia Legislativa de Alagoas, Delegado Regional do Ministério do Trabalho, Secretário de Imprensa da Prefeitura de Maceió e Secretário de Comunicação de Alagoas. Atualmente é editor-geral do PRIMEIRA EDIÇÃO.

A velocidade supersônica da política brasileira

08/10/2021 19:51

Do ponto de vista da astrofísica, é provável que o Universo se mova, hoje, com a mesma intensidade de bilhões de anos atrás. Não há evidências de que a plataforma universal esteja em processo de dilatação mais lento ou mais veloz. Portanto, nenhuma mudança real na cadência dos astros.

Contudo, aqui no minúsculo Planeta Azul, é real a sensação de que o tempo está passando mais rápido. ‘Antigamente’, o mandato de um prefeito, governador e presidente parecia durar uma eternidade. Eleito, o sujeito tomava posse, entrava no gabinete e fica ali, contemplativo, achando que nunca mais ia sair. De um tempos para cá, isso foi mudando. O próprio ciclo eleitoral – pleito a cada dois anos – ajuda a fortalecer a ideia de que o ‘tempo voa’ e os mandatos se evaporam. Mas não é apenas ‘sensação’. Os homens, os políticos concorrem para o efeito da ‘condensação temporal’. Como? Antecipando tudo. Eis o exemplo da hora: a sucessão presidencial será em outubro de 2022 – daqui a mais de um ano – e não se fala em outra coisa. Na verdade, o próprio Bolsonaro, meses após assumir já falava em reeleição. Foi como um sinal para abrir o debate interminável.

Em cenário conexo, dá-se conta de que os eleitos para cargos executivos não governam quatro anos, isto é, a duração plena do mandato. E não é difícil entender a equação: o primeiro ano é para '‘arrumar a casa’ e o quarto, para ‘cuidar da reeleição’. Assim, trabalham dois anos, efetivamente. Ou menos, quando a gestão é confusa, marcada por entra-e-sai de ministros e secretários...

Isso, sem falar que, exatamente na metade do mandato, eles se engajam eleitoralmente numa luta de sobrevivência, investindo na manutenção ou ampliação de suas bases, catapultando prefeitos e vereadores. No fundo, passam todo o mandato, ora menos ora mais fortemente, fazendo política, encurtando o tempo ou, sob outra ótica, fazendo o tempo passar mais rapidamente.

Por aí conclui-se que o exercício político, o cumprimento de mandatos executivos seria mais produtivo se a política com fins eleitorais não se impusesse tanto depois de cada posse. O tempo, certamente, levaria mais tempo para passar.

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Não existe essa de golpe, e o presidente sabe disso

27/09/2021 14:29

Em surpreendente entrevista à Veja, Jair Bolsonaro disse, de forma direta e objetiva, coisas que a grande maioria dos brasileiros desejava ter ouvido deles em outras ocasiões.

Considerou, por exemplo, ter extrapolado (excedido os limites do bom senso) no 7 de Setembro, em Brasília e São Paulo, quando atacou ministros do Supremo e disse que não cumpriria mais ordens judiciais. Depois, como se sabe, ele leu uma 'Carta’ (redigida por Michel Temer) admitindo os excessos, como que se desculpando aos ofendidos e ao próprio povo brasileiro.

Na entrevista à Veja, porém, o presidente admitiu algo que ele sabe totalmente inviável, impossível mesmo: não pretende dar um golpe na democracia. Não se trata de pretensão, vontade, desejo. No Brasil de hoje, não existe clima nem ânimo, dentro das Forças Armadas, para incursões golpistas. Bolsonaro sabe e a postura dos militares no 7 de Setembro atestou isso de modo cristalino.

Em outra abordagem, JB afirmou que não vai ‘melar’ as eleições. Disse o óbvio, pois um presidente isolado não encontraria apoio nenhum – no Congresso, no Supremo Tribunal, nas Forças Armadas e no seio da sociedade – para tumultuar a vida nacional a ponto de inviabilizar as eleições gerais do próximo ano.

E ainda elogiou a decisão do ministro Roberto Barroso, membro do STF e presidente do Tribunal Superior Eleitoral, de incluir as Forças Armadas no esforço de demonstração da integridade do processo de votação eletrônica, o sistema íntegro e seguro que o presidente, em vão, tentou trocar pelo velho ‘voto impresso’.

Entrevista boa, não somente pelo fato de o presidente aceitar falar a um órgão independente da mídia – que tanto ataca – mas também por se abrir com revelações que mostram, em verdade, o que Jair Bolsonaro pensa, e não o que diz, ordinariamente, muito mais para agradar seus apoiadores.

Após esse imprevisto contato com Veja, Bolsonaro se confere a oportunidade de assumir uma nova postura perante a nação, deixando para trás o esforço obsessivo de desenhar situações que não existem e encarando, finalmente, o cenário do Brasil real.

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O monstro que ameaça Bolsonaro está solto...

13/09/2021 18:08

Não fosse pelo notório ‘apego ao cargo’, Paulo Guedes já teria deixado o Ministério da Economia. E faria, com o gesto, um enorme favor ao povo brasileiro e ao próprio Bolsonaro, que lhe confiou as diretrizes da política economia de seu governo.

As reformas propostas por Guedes não passam como deveriam e a realidade se choca com suas previsões. A da Previdência, draconiana, deveria sanear as finanças do Planalto, mas isso não aconteceu. A tributária é um rolo só e a administrativa – uma punhalada no peito dos servidores públicos – não vai passar como ele desejava, com o fim da estabilidade.

Mas o erro capital de Guedes foi apostar na alta do dólar, pois a disparada do câmbio ampliou as exportações, e o mercado interno, com a oferta reduzida, viu os preços pipocarem. No início, falava-se em arroz, feijão e óleo de soja. Depois veio a carne bovina, que puxou a cotação do frango, do porco e até do pescado. A partir daí – e com a alta contínua da energia elétrica e dos combustíveis – a inflação voltou com celeridade.

E voltou turbinando os preços em geral. Significa que a população em geral – e os mais pobres em particular – está com o poder aquisitivo se deteriorando rapidamente. E o pior, no momento em que, enfrentando dificuldades, a economia busca se recompor superando os efeitos danosos da pandemia.

É um monstro. Como diziam os governos anteriores ao Plano Real, a inflação é um monstro devora tudo. Desorganiza a economia e, a partir daí, começa a corroer os salários. Com a renda comprometida e a qualidade de vida se decompondo, restaria à classe trabalhadora a mobilização (leia-se greve) por reajustes. Foi assim, pelo menos, nos tempos do descontrole inflacionário, da guerra entre preços e salários.

É tema que exige digressão robusta, mas o presente resumo basta como advertência ao capitão: os mortes da pandemia pesam, claro, mas são o custo maior de uma doença fatídica. A falta de comida no prato, entretanto, não será vista como maldição epidêmica, e sim como fruto de política econômica incompetente. Essa será a percepção popular. O monstro está solto...

 

PRIVATISTA, MAIA CRITICA REAJUSTE DA ÁGUA

O deputado Davi Maia (oposição) criticou o reajuste de 8,085% aprovado pela ARSAL para a tarifa de água e esgoto. Tratou-se de reposição para compensar a inflação dos últimos 12 meses. Maia, só para lembrar, defendeu a concessão dos serviços da Casal à iniciativa privada. Por outro lado, não teve a mesma veemência para criticar o reajuste tarifário da conta de luz.

 

JÓ PEREIRA RECEBE TÍTULO DE EMBAIXADORA

Coordenadora da Frente Parlamentar em Defesa do Comércio, a deputada Jó Pereira acaba de receber o título de ‘Embaixadora do Comércio Exterior – Comex - de Alagoas. A distinção foi entregue pelo presidente da Câmara de Negócios Internacionais (CNIA) Luizandré Barreto, durante cerimônia no Hotel Intercity, na Ponta Verde.

 

BRASIL PRECISA ABOLIR REELEIÇÃO AUTOMÁTICA

Instituída no governo de Fernando Henrique Cardoso, a reeleição para cargos executivos (prefeito, governador e presidente) tem produzido males terríveis ao Brasil. Por exemplo: toda crise institucional do momento tem como causa o desejo de Bolsonaro de ser reeleito. Aliás, JB começou a falar em reeleição alguns meses após assumir a presidência. Agora, ele radicaliza ao dizer que só aceita a vitória. Que democracia é essa?

 

VACINADOS PODEM IR AO ESTÁDIO DE FUTEBOL?

Ao vetar jogos do Flamengo com torcida no Maracanã, a CBF coloca em descrédito a eficácia da vacinação contra Covid-19. Simples: a Prefeitura do Rio de Janeiro condicionou o acesso ao estádio à apresentação de certificado de vacinação. Ora, se ainda assim há risco de transmissão do coronavírus, onde está a proteção oferecida pelas vacinas?

 

NÃO EXISTE RISCO DE INTERVENÇÃO MILITAR

As bravatas de Bolsonaro não vão levar o Brasil a uma ruptura institucional, muito menos a uma intervenção militar. As Forças Armadas estão coesas, unidas, e conscientes de seu papel.  Intervenção com que objetivo? ‘Levar’ Bolsonaro para onde ele já está? Além do mais, não há clima para militarização do regime.

 

UM FILME JÁ VISTO NOS ESTADOS UNIDOS

Em verdade, enxerga-se um paralelo entre a atual situação de Bolsonaro e a vivida pelo ex-presidente Donald Trump. Abatido pela postura que assumiu frente à pandemia, Trump denunciou fraude eleitoral e também exercitou bravatas. No final, deu Joe Biden, e Trump, choramingando o tempo todo, acabou aceitando a derrota eleitoral – com voto impresso...

 

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A vitória do mestre na batalha contra o inimigo terrível

30/08/2021 12:49

Depois de uma batalha decisiva pela vida, o anúncio do Hospital Vila Nova, em São Paulo: “O paciente Douglas Apratto Tenório acaba de receber alta”. Era a vitória do mestre sobre as graves complicações que o acometeram em decorrência da Covid-19.

Quinta-feira (26) quase dois meses após contrair o vírus e viajar para a capital paulista, depois de receber assistência inicial na Santa Casa de Maceió, o historiador e atual vice-diretor do Centro de Estudos Superiores de Maceió (Cesmac) desembarcava são e salvo no Aeroporto Zumbi dos Palmares, onde foi recebido justamente como merecia: com música, aplausos e o carinho de familiares e amigos que, ao longo do drama crucial, se uniram  em corrente de oração pelo seu restabelecimento.

No dia 27 de junho último, o professor Douglas Apratto, com seu quadro de Covid agravado, foi intubado na Santa Casa e teve de ser transferido para São Paulo, onde permaneceu internado até 17 deste mês de agosto, quando deixou o hospital e foi levado para um hotel onde passou alguns dias fazendo fisioterapia.

 

EMOÇÃO

A calorosa e emocionante recepção no Zumbi dos Palmares deu a exata dimensão de quanto o professor e doutor – um dos grandes intelectuais de Alagoas – é admirado e querido.

Diante de alunos, familiares e amigos, em ambiente de sorrisos e profundo acolhimento, Douglas Apratto foi brindado com melodias executadas ao violino pelo maestro Luís Martins. E não faltaram flores belíssimas e uma ostensiva faixa de ‘boas-vindas’.

Em mensagem aos colegas (dirigentes, professores e alunos) do Centro Universitário Cesmac e aos amigos que ficaram torcendo por sua recuperação, a família de Douglas agradeceu pelas orações lembrando a palavra de consolo e esperança de Jesus: “Pedis e recebereis”. Os que amam Douglas receberam.

 

O PORTA-VOZ

Durante todo o período de internação, fiz sucessivos contatos com Jorge Morais – grande jornalista e comunicador esportivo, meu amigo-irmão – assessor de comunicação do Cesmac.

Morais me passava informes diários sobre o estado de saúde de Douglas. Quando os contatos foram rareando, senti que a saúde Do amigo evoluía positivamente, até que no dia 29 de julho Morais comunicou:

- Mais um dia de luta e nosso querido guerreiro professor Douglas continua a sua maratona de exercícios em busca da sua recuperação total... continua estável e sem intercorrências. Dia de agradecer a Deus por sua recuperação diária.

Na quinta (26) à tarde, agradecido pelo retorno e vibrando com a homenagem no Aeroporto, enviei pelo Zap:

- Douglas em casa, Deus seja louvado! – E Morais retornou:

- Isso, graças a Deus!

 

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Como Renan Filho conseguiu superar a criminalidade em Alagoas

23/08/2021 13:07

Responsável pela política de combate à violência que retirou Alagoas do topo da criminalidade nacional – com queda constante e segura, principalmente, dos índices violentos – o governador Renan Filho revela a receita, simples e eficaz, para atingir os objetivos na área administrativa mais difícil de ser conduzida: “priorização da segurança pública”.

A frase, curta e objetiva, resume todo um projeto de combate à criminalidade que envolve uma série de medidas concretas:

1 – contratação de mais agentes da Polícia Civil, mais integrantes da Polícia Militar, mais agentes penitenciários e da Perícia Oficial, através de concursos públicos;

2 – aquisição de novas viaturas para as Polícias – todas devidamente equipadas – e de armamentos sofisticados para o enfrentamento à bandidagem;

3 – implantação em dezenas de municípios dos Centros Integrados de Segurança Pública, CISPs;

4 – construção e inauguração do novo Instituto Médico Legal Estácio de Lima, com investimento de R$ 25 milhões na edificação da sede e aquisição de equipamentos;

5 – valorização da Polícia Militar, com aumento do efetivo e promoções de seus integrantes;

6 – colocação das aeronaves do Estado para uso das forças de segurança em ações policiais e do Corpo de Bombeiros Militar;

7 – política de ações integradas das Polícias Civil e Militar, organismos que, no passado, atuavam de forma independente.

Como resultado de tudo isso – e sob o comando direto do secretário Alfredo Gaspar de Mendonça e do coronel Lima Júnior – Alagoas teve a segunda maior redução de mortes violentas do Brasil nos últimos dez anos, segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública divulgados em junho último.

Alagoas reduziu em 51,1% o número de homicídios no comparativo entre 2011 e 2020, atrás apenas do Distrito Federal, que obteve uma redução de 51,4% no mesmo período.

O estado apresentou o melhor resultado da região Nordeste, seguido pela Paraíba, que reduziu 34,3% o número de mortes violentas nos últimos dez anos. O Brasil alcançou em uma década uma redução de 3,7%, bem abaixo do resultado registrado por Alagoas.

Com todos esses avanços, em menos de 7 anos Alagoas deixou de ostentar o título de estado mais violento do Brasil – marca que durou mais de três décadas – e se transformou num exemplo de como reduzir a violência usando as ferramentas da lei.

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Primeira Edição © 2011