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Poesia da Sombra II Diversidade

19/12/2021 21:07

No período de 11 de agosto a 09 de outubro/21, na Galeria de Artes Visuais do Complexo Cultural Teatro Deodoro, esteve em cartaz a minha segunda exposição individual de fotografia em Maceió-AL, com a temática do nu artístico feminino, intitulada Poesia da Sombra II – Diversidade. Foram expostas 50 imagens em preto e branco, medindo 50X70 cm, captadas  com a  sutileza típica de um profissional  comprometido com seu trabalho  agregado  a sensibilidade de uma alma poética capaz de pintar com a luz  a mais pura beleza  dos corpos femininos, independentemente do padrão estético.   A exposição faz uma leitura da diversidade estética do gênero. Pelas  imagens   revelo  destaques fascinantes em cada corpo: sobrepeso, rugas, flacidez,  todas nuances da  geografia  corporal,  realçando incrivelmente o sexo oposto. A mostra artística traduz a mensagem do acolhimento das diferenças, o que tem sido desafiador para a contemporaneidade. Esta segunda mostra faz parte de uma trilogia sobre a temática para a qual  já começei captar imagens e preparar  a terceira. Na qual convidei  e fotografei dez mulheres cuiabanas e maceioenses de diferentes biotipos, idade, orientação sexual e etnia, dando ênfase  à diversidade. Atendendo  pedidos de quem não pode ver, em função da pandemia, disponibilizei toda  exposição virtualmente e podem ser acessadas  a qualquer tempo bastando acessar o endereço, https://www.flickr.com/photos/hugotaques/albums  ou  http://www.diteal.al.gov.br/tour360/ e fazer o tour 360 graus observando em detalhes cada uma das 50 fotografias.

Quem é o artista?

Sou Hugo Taques, realizei minha primeira exposição individual de fotografia em Maceió, em maio de 2015 no MISA - Museu da Imagem e do Som de Alagoas. Foram 30 fotos com modelos magras, altas e jovens. Já nesta segunda mostro que sensualidade e beleza  são valores subjetivos e não são exclusivos de nenhuma tipologia de beleza. Foi um trabalho de muita sensibilidade e delicadeza no trato com as fotografadas. Exigiu confiança mútua, desde o convite para participação do projeto, passando pelas sessões de fotos no estúdio, até a seleção das imagens. Sou natural de Mato Grosso, mas radicado em Maceió- AL, há 16 anos. Poesia da Sombra II – Diversidade, trouxe uma proposta totalmente inclusiva e aborda questões sensíveis atuais, por vezes polêmicas e permeadas de preconceitos, como mulher trans,  mulher idosa, negra, magra, plus size e pessoa com deficiência. Todas elas são reveladas em seus traços mais fortes de plena beleza e naturalidade.   Sou  formado em História pela UFMT, pós graduado em Fotografia pela Facuminas e fotógrafo há mais de 20 anos; e aos 63 anos mantenho minha paixão por ambas as áreas (história e fotografia)  e ministro palestras sobre História da Arte e Fotografia Contemporânea. Costumo dizer que minha  relação com a fotografia é orgânica e estou em constante busca de conhecimentos para me manter vivo e atual.

Modelos:   

Amanda Maria da Silva Vicente – Maceió AL / Bárbara Nagma C. Correia – Maceió AL  / Elaine Ferreira da Silva – Maceió AL / Heloise Fernandes Godoy – Cuiabá MT / Jaqueline Mattos Arfux – Cuiabá MT / Lídia Rocha – Maceió AL / Luana de Farias Santos – Maceió AL / Noêmia Correia Rocha – Maceió AL / Tainara Cardoso de Araújo – Cuiabá MT / Vanessa Mikaela Farias  de Oliveira – Maceió AL

Curadoria : Fredy Correira

Produção/casting:  Flávia Taques Ferreira ( Cuiabá-MT)

Meus Contatos:   WhatsApp: (82)99924-5154   Email:htaques@gmail.com                                                                                                                 

Redes Sociais: Instagram: @hugotaques e @hugotaquesarte     Facebook: Hugo Taques       Portfólio: www.flickr.com/photos/hugotaques

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Conselho Municipal de Políticas Culturais publica edital para eleição dos conselheiros

28/05/2021 17:45

Com prazos apertados para inscrições e habilitação dos eleitores e candidatos, o Conselho Municipal de Políticas Culturais (CMPC) publicou edital para eleição dos conselheiros para o biênio 2021/2023, os interessados a votar e a concorrer a uma vaga têm até o dia 31 de maio ( próxima segunda - feira ) para se inscreverem, a habilitação dos candidatos será no período de 01 a 03 de junho e no dia 04 sai a lista de quem poderá votar e a relação dos candidatos por segmento. O período de votação será de 14 a 24 de junho, sendo cada dia para um segmento e no dia 25 sai o resultado dos eleitos.

 

ELEIÇÃO POR SEGMENTO.

DATA

HORÁRIO

Votação online e presencial

1. Arquivos, patrimônio material, imaterial e museus

14.06.2021

19h às 22h

2. Arte digital, artes visuais e fotografia

15.06.2021

19h às 22h

3.  Artesanato, moda e design

16.06.2021

19h às 22h

4. Audiovisual

17.06.2021

19h às 22h

5. Artes cênicas (circo, teatro e dança)

18.06.2021

19h às 22h

6.  Culturas afro-brasileiras

21.06.2021

19h às 22h

7. Culturas populares

22.06.2021

19h às 22h

8.  Literatura, livro e leitura

23.06.2021

19h às 22h

9. Música

24.06.2021

19h às 22h

A votação será online e presencial, o eleitor escolhe antecipadamente a modalidade que desejar.

O edital estabelece uma série de critérios de habilitação tanto para os eleitores quanto para os candidatos. 

O segmento das artes visuais e fotografia da qual pertenço, apresentará a chapa PróArte composta pelo artista visual, Fredy Correia (titular) e pela professora e artista visual e Carol Gusmão (suplente) que   já apresentaram à comunidade a plataforma que defederão no conselho. 

. Realização de um mapeamento cultural amplo e completo para que a instituição  conheça os artistas do segmento  e possa elaborar as políticas públicas.
. Elaboração de um calendário anual de editais e eventos que contemplem as artes visuais;
. Realização  de cursos de formação, capacitação e aperfeiçoamento nas artes visuais;
. Criação de espaços para exposições ( o municipio naõ possui nenhum). 
. Criação de políticas públicas para o setor do turismo cultural, com abertura de espaços para divulgação e visualização dos produtos culturais local, incluindo as artes visuais;
. Criação de políticas públicas no setor de arte educação com criação de oficinas, cursos, palestras para alunos da rede pública;
. Para que não haja solução de continuidade na execução de politicas públicas com as alternâncias de governos, propõe a criação de um fórum permanente, independente e democrático onde questões das artes visuais sejam amplamente discutidas e cobradas;
.  Regulamentação da Lei municipal 6.666/2015, (aprovada e ainda não regulamentada), que obriga a todos os prédios públicos e privados,  com área adensável superior a 1.000m2 a serem construídos, a terem uma obra de arte na sua fachada com vistas ao público;
. Criação de uma agenda a curto, médio e longo prazo com atividades para o segmento. 

Ambos candidatos têm uma história de lutas a favor dos artistas visuais alagoanos, reivindicando, cobrando e propondo ações,  junto aos orgãos gestores da cultura. 

"  O principal motivo que nos levam a  concorrer  ao pleito é o fato de que, desde a criação do Conselho, as artes visuais nunca teve voz nas deliberações,  haja vista que sempre foi preterida na distribuição dos editais;  em 20 anos nunca houve sequer um edital para nosso segmento, ficamos acéfalos a todas  iniciativas  do conselho e do órgão gestor da cultura maceioense. Para que essa caótica situação seja  interrompida  e cesse o permanente descaso com as artes visuais, apresentamos uma bandeira de luta, uma plataforma construída com nossos mais básicos anseios "  disse o candidato Fredy Correia. 

Edital completo no portal da FMAC 

http://www.maceio.al.gov.br/fmac/observatorio-de-editais/

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E a tal Estrela de Belém, você viu?

22/12/2020 23:04

E A TAL ESTRELA DE BÉLEM, VOCÊ VIU?

Motivado por tantas reportagens, publicações nas redes sociais e uma certa curiosidade, hoje, logo hoje, resolvi querer ver a tal Estrela de Belém, de Natal, Estrela-Guia ou a conjunção dos planetas Júpiter e Saturno. Consultei dados astrológicos, astronômicos, meteorológicos e os pontos cardeais para ter o mínimo de informação e poder assistir ao milenar fenômeno envolto por tantos mistérios, afinal passaram-se 400 anos desde o seu último registro.

Era hoje ( e até a noite de natal) a única possibilidade nesta vida de poder ver a olho nu esse mega acontecimento interplanetário. Pensei em procurar um local privilegiado, ao ar livre, sem nenhuma barreira que pudesse atrapalhar o espetáculo, mas lembrei de uma posição hiper confortável e segura (vai escurecer e eu portando câmera fotográfica, lentes e acessórios ), “o quartinho da bagunça” no meu apartamento, ele está a oeste ou a sol poente. Foi onde montei meu observatório.

Tive que fazer uma limpeza, arrastar trecos e tarecos para instalar o equipamento fotográfico, não iria deixar passar em branco, sem nenhum registro, e como provar e compartilhar nas minhas redes!? Montei o tripé e fixei a câmera com uma boa teleobjetiva, ajustei as configurações, fiz uns testes, tudo ok. Ainda eram 17h20, o horário do pôr do sol, nesta terça-feira -22, seria às 17h43, ainda tinha um tempinho para preparar o ambiente e ficar bem confortável.

Improvisei uma mesa, coloquei o notebook, ainda tinham algumas pesquisas a fazer sobre a tal estrela e, claro, em tempo real, ver o que estava acontecendo pelo mundo.

Para ficar mais interessante, abri um Jack Daniel’s. A primeira dose foi sem gelo, desceu gostoso, limpando a serpentina. Ainda preparei um tira-gosto de queijo, azeitona e amendoim.

Tudo pronto para assistir ao espetáculo! Dei uma rápida olhada para o céu, ajeitei-me confortavelmente na cadeira, liguei a câmera e o notebook. Com o queixo apoiado no antebraço dei uma geral lá embaixo, no quintal do vizinho, na rua, nos terrenos baldios incorporados, tudo muito descuidado, pombos em revoadas, trânsito caótico, prédios novos sendo levantados ao entorno e muito barulho, das crianças, dos carros, das máquinas nos canteiros de obras, e do carro do ovo que passava no momento. Mas nada incomodou, minha atenção estava lá pro alto, no horizonte, no pôr do sol, na Estrela de Belém.

17h40, faltavam 3 minutos, dei mais um gole e fui para a câmera mirando para o firmamento. O sol antes de se esconder deu um show de cores, a hora mágica ou hora dourada, como chamamos na fotografia, estava divinamente linda, uma profusão de cores avermelhadas, mescladas com amarelas, alaranjadas, marrons, nuvens brancas, cinzas claros e escuros, contrastando com um azul celeste que variava de tom a cada piscada de olho. Um encanto! Não recordo ter olhado e visto um céu tão colorido e esplendoroso. Preciso olhar mais para o alto, ir mais a esse “ quartinho da bagunça” ficar na sua janela e contemplar os espetáculos oferecidos pelos crepúsculos vespertinos do nordeste brasileiro.

Só esse show do final de tarde propiciado pelo astro rei, já pagou o ingresso. Se nada mais acontecesse de interessante eu já estaria feliz e satisfeito. A natureza é incrível e imprevisível, criou um cenário magnifico de cores e luzes, me encantou, me emocionou e me fez acreditar que o que viria depois seria inesquecível. E Foi!

Não sei de onde veio, não vi chegando, mas de repente, entre a minha janela e o sol poente surgiu um CB, ( aprendi essa sigla quando voava de mono ou bimotores pelo interior de Mato Grosso em épocas de campanhas eleitorais; presenciei várias vezes pilotos cancelarem voos, ou já em pleno ar, abortar ou desviar rotas. Apavorante! Acho que foi dai que originou uns surtos de pânicos e/ou claustrofobia que tenho de vez em quando. CB, na linguagem da aviação, são formações nebulosas com grande desenvolvimento vertical – cumulonimbus – ). Isso mesmo, surgiu do nada uma espessa nuvem negra, carregada, que nem movia direito depois que estacionou ali, parece que propositadamente. Foi um banho de água fria, até o whisky que já estava fazendo efeito, zerou. Dei dois grandes goles em seguida. Comecei a ficar nervoso, a maldita nuvem negra pairou no ar e não arredava o pé da posição, parecia zoar comigo, mudava de formas, foi um dragão, transformou em um barco, depois em um bicho alado e em outras figuras, mas não ia embora como é normal das nuvens boazinhas. A danada até chegou a afinar um pouco, parecia que ia se dividir em várias menores, mas um vento juntou tudo outra vez. Quando estava se dividindo, já passava da hora do pôr do sol, estava escurecendo, era o momento que provavelmente daria para ver, a olho nu ,os dois planetas bem próximos. Vi um, não sei qual, tive esperança do CB se dissipar e dar para ver o outro, Juro, ainda tentei dar uma forcinha enchendo o pulmão de ar e assoprando várias vezes, em vão. Fui tomado por uma sensação de impotência, de frustração, de raiva mesmo. Tomei mais uns goles, cruzei os braços e fique observando. E nada! Já estava escuro, passavam mais de 30 minutos do horário previsto. E por incrível que possa parecer ela não foi embora, muito pelo contrário, vieram outras menores que se juntaram aumentando o tamanho.

Blackout, o sol apagou, agora as luzes da cidade iluminavam os céus, sinalizadores vermelhos do alto dos prédios piscavam intermitentes, faróis cruzavam ruas tecendo imensas teias luminosas, moradores dos prédios começavam acender lâmpadas nos apartamentos, sons estridentes de buzinas e sirenes no caótico trânsito faziam trilha sonora para minha cena solitária de decepção e frustração. Eu nunca me interessei por “conjunção carnal” de planetas, nem sabia que existia; Estrela de Belém, de Natal, Estrela-Guia, só nos contos bíblicos como estórias natalinas. Mas, poxa, eu queria ver, me preparei, fiz tudo certinho e aparece essa nuvem negra teimosa, debochada e preguiçosa que nem saiu do lugar, para atrapalhar meus planos. Não vou mais poder ver esse fenômeno, pelos menos nos próximos 400 anos.

Não faz mal, eu nem queria mesmo! (“hic”)!

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Driblando a quarentena

24/07/2020 08:46

Muitas coisas boas também aconteceram nesse período de isolamento social, até hoje com 120  dias e noites reclusos, circulando em pouco mais de 100m².  Por mais agradável que seja estar ao lado da família no aconchego do lar, haja criatividade e inspiração para defender do tédio e da aflição que poderia nos abater. Criar uma rotina nova depois de alguns contratempos lá no inicio foi vital para sobrevivermos. Dividimos tarefas, as vezes era preciso um cobrar do outro para executá-las, mas fomos criando hábitos. Mesmo assim eram muitas horas por dia para preenchê-las, relaxávamos um pouco para não ficar maçante e fomos descobrindo que existem infinitas possibilidades de ocupar  o tempo e espaço  com recursos e materiais disponíveis,  principalmente exercitando o lúdico,  a capacidade cognitiva e os talentos “ocultos” ou mal  trabalhados. Foi  nossa tábua de salvação.

Até as tarefas básicas, rotineiras, ganharam um pouco mais de leveza na execução. A cozinha nos uniu na preparação conjunta e divertida  das  refeições, cada um tinha uma receita nova e saborosa todos os dias, virou um laboratório de experiências gastronômicas.  Receitas  foi o assunto mais buscado na web, certamente. Sabe aqueles vídeos de dicas e truques mirabolantes que invadem insistentemente nossas redes socias? Pois é, entramos na onda e criamos, reciclamos, inventamos e  fizemos alguns deles, foi divertido. A esposa é professora de escolas públicas, não pararam e  praticamente  todos os dias têm reuniões virtuais  de trabalhos ( igual na vida real, muita conversa...), ela tem que preparar aulas, gerar conteúdos via plataformas para os alunos remotos, entrei na jogada para colaborar com ela aplicando velhos aprendizados nas artes cênicas, plásticas, musicais, etc. Fizemos teatro de bonecos, criamos jogos, cantamos e pintamos o sete. Os alunos adoravam, dava pra ver pelo feedback.  A filha, com as aulas presenciais  suspensas, está, compulsoriamente, assistindo pelo celular as maçantes e improdutivas cinco horas/ aulas/dia, não dá pra fazer nada, tem que cumprir.    Outra rotina que não tem graça nenhuma é lavar louças, roupas,  banheiros e limpar móveis. Arrumar cama, nem se fala, o pior, e dava pra ver entrando nos quartos. Mas cumprimos todas as tarefas  com esmero.  A prática diária ( ou quase diária) de atividades físicas mantivemos com muito esforço e suor até hoje, um motivando o outro, arrastando para a frente da tv na sala  para assistir aulas,  ( como as infinitas lives que proliferaram nessa pandemia pra todos os gostos, públicos e assuntos,  também descobrimos o quanto tem de profissionais, de “experts”, curiosos e metidos a bestas produzindo videoaulas de ginásticas), mas como temos uma excelente educadora física em casa, logo ela assumia o comando dos treinos. Ufa!!!  Galões de materiais de limpezas, pacotes de alimentos, cadeiras, tudo virou equipamento para treino. A velha bicicleta Caloi que não pode mais ir às ruas, virou bike fixa com uns pequenos ajustes,  e funcionou bem, pedalamos horas a fio todos os dias. O vão da porta de um quarto ganhou uma barra fixa para malhar os membros superiores;  câmaras de ar de pneus de bicicletas transformaram em elásticos  extensores para exercícios multifuncionais; lençóis velhos torcidos viraram cordas de pular, entre outras improvisações. Nessa tarefa fomos produtivos,  criativos e devemos manter enquanto durar e pós pandemia. Mesmo assim, com todos esses sacrifícios, o fantasma de um pequeno sobrepeso nos assombram  os quais encaramos com “certa naturalidade” pelo momento que vivemos, mas tentamos  combatê-los diariamente. 

Saiu da nossa rotina, assistir aos telejornais que só exibem ilícitos da classe politica e tragédias; passamos a consumir quase zero de produtos industrializados e mais natureba. Netflix, maratonamos, quase batendo “Os melhores” “Lançamentos” “Top10” e “Em alta”.

Aparelhos celulares, coitados,  circuitos queimados, telas quebradas, banhos no vaso sanitário e na pia, viciados em álcool 70%, e muita manutenção. Ah, minhas mãos também estão viciadas, quando tudo passar elas  terão  que fazer um tratamento para dependência alcóolica.

A professora, mãe e esposa, aproveitou o tempo para fazer uns cursos pela internet, culinária, meditação, saúde e segurança no trabalho durante a pandemia, computação ( com vistas à possibilidade de aulas hibridas após retorno das atividades escolares), automaquiagem, oratória, etc., etc. e etc. ócio produtivo.

Já, eu, fotógrafo profissional, que ficou sem trabalho nesse tempo todo e tentando se reinventar para se reposicionar no mercado (depois conto mais sobre isso), além de todas essas peripécias em família, dentro de casa, em isolamento, e motivado pelo excesso de tempo livre,   o lado artístico, criativo, que carrego desde muito cedo, deu uma despertada. Gravei vídeos tocando violão, cantando músicas e interpretando poemas para compartilhar em minhas redes sociais (por sinal muito acessadas e curtidas). Desenhei, pintei, esculpi dezenas de obras.  A casa está repleta das minhas invencionices artísticas. Uma coleção de máscaras , carrancas e  totens ocupam  espaços na sala e corredor. Nas gavetas dezenas de pinturas e desenhos guardam  momentos de inspirações revelados durante a pandemia. Na pasta, documentos, do word, várias crônicas e textos, com temas diversos. Adoro escrever, registrar com fotos  e palavras o que estou vivenciando, a exemplo, esta segunda narrativa das experiências na pandemia.

Claro, não vou mentir, houve alguns momentos críticos, de conflitos, afinal são três personalidades diferentes convivendo 24 horas por mais de 120 dias, sendo uma “ aborrescente” e mandona, o que coloca mais lenha na fogueira, mas como sempre tem um bombeiro por perto, os incêndios foram apagados no começo. Tudo isso nos fortaleceu, cada nova situação um aprendizado. Descobrimos mais um pouco de nós mesmos e do outro, pequenos e importantes detalhes que a correria de antes não nos permitiam enxergar. Estamos mais fortes e unidos, com mais amor e respeito mútuo.

Só está sendo doloroso ter que, diariamente, se lamentar, entristecer e chorar pelos amigos, conhecidos e anônimos  que partiram precocemente. É o lado triste dessa interminável e terrível pandemia causada pelo covid-19.

No mais, tudo bem, graças a Deus! Com saúde, vamos buscar o que perdemos e precisamos. Namastê!

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Dia Nacional da Adoção

25/05/2020 01:30

Neste ano o 25 de maio  terá um significado muito especial em nossas vidas, hoje comemora o Dia Nacional da Adoção, e esta história tem a ver com um lindo ato de amor da minha primogênita e do meu genro lá atrás quando,  mesmo antes de se casarem, ao achar que estavam prontos para serem pais,  resolveram dar entrada num processo de habilitação como pretendentes à adoção.  De lá pra cá foram 6 anos na fila de espera, até que finalmente poucos dias antes do Dia das Mães receberam uma ligação da Justiça avisando que tinha chegado a hora, haviam dois recém nascidos com 6 meses de idade  prontos para ganharem um novo e definitivo lar, as mães dos mesmos já tinham cumprido todos os processos, incluindo a definitiva renuncia ao pátrio poder;  o plano do casal  era de acolher apenas um,  pois nesse lapso temporal a família já tinha aumentado com dois lindos e maravilhosos filhos biológicos, Lucca de 3 anos e Pietra de 6 meses, meus adoráveis netinhos. Nos dias seguintes à  ligação da juíza informando sobre a adoção, o casal passou por momentos difíceis, sofreram sabendo que teriam que fazer  escolha de um em detrimento do outro, mas quando chegaram ao abrigo para buscá-lo, foi o Pedro que estava esperando por eles nos braços do agente, sem que fossem consultados, aliviando assim esse passo doloroso na tomada de decisão de “com quem ficar”.  Foi amor a primeira vista, os olhos dos pais brilharam, seus corações dispararam e o Pedro Henrique abriu um enorme sorriso quando foi abraçado pelo (novo) pai.  Era ele o novo membro da família.

Com o processo de adoção em curso, Lécia  engravidou e veio o Lucca, seu primeiro filho,  não cancelaram, continuaram na fila e ainda renovaram o interesse por mais 5 anos. No dia 28 de outubro do ano passado, nasceu a segunda filha, a Pietra. Cheios de fé, esperança  e com o firme propósito de realizarem  uma  adoção não tiveram que esperar muito tempo. Um dia depois, 29 de outubro, após o nascimento da Pietra nascia em outro lugar um menino lindo, cheio de vida, chamado Pedro Henrique, que foi entregue a um abrigo e ali aguardou seis   longos meses  para, com todo amor, vir fazer parte da nossa família.  Ele e Pietra são (espiritualmente) gêmeos, com apenas horas de diferença de nascimento.  O nome, Pedro, que significa “pedra” ( de origem grega), é masculino de Pietra, que tem o mesmo significado e origem; e, segundo minha filha, a roupa que ele vestia quando foram conhecê-lo no abrigo, era de um mesmo modelo  que a Pietra tinha e adorava vestir. Não são coincidências, mas fortes motivos para  crermos em encontros (ou reencontros) de almas.

Como pai encho -me  de orgulho e admiração por minha filha e pelo meu genro  pela grandeza de espirito, por tamanho gesto de humanidade em amparar, trazer para o seio da família um Ser indefeso e desamparado, dando a ele uma nova perspectiva de futuro.  É Divino!     Como avô,  agora de 4 netos, Ágatha, 12;  Lucca, 03, Pietra e Pedro de 6 meses,  o coração transborda de felicidade, de emoção e de alegria, com a  certeza de que continuaremos existindo neles.     

No Brasil, estatísticas do Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento (SNA) e do Conselho Nacional de Justiça  mostra que hoje existem apenas 5.060 crianças disponíveis para adoção, dentro de um universo de 33.900 que vivem em 4.295 abrigos. Outras 2.705 já estão em aproximação com famílias adotivas, o que significa que 26.116 ainda vivem em um limbo jurídico – nem estão disponíveis para adoção e nem voltaram ainda para suas famílias biológicas.

Acho que estão  querendo concorrer comigo(rs!) que já  tenho quatro filhos. Eles dois, não cancelaram  o processo de adoção, mesmo com os 3 filhos,   continuam na fila a espera de mais um,  só  que agora  o próximo terá que ter  7 anos acima. Um lindo exemplo a seguir, mais um aprendizado que podemos tirar desses tempos difíceis de pandemia, que apesar de tudo, das incertezas, do medo,  o amor continua fluindo e está mais vivo do que nunca. Adotar  é gerar um filho no coração e dar luz a um futuro.

Estamos mais completos e unidos com a chegada do lindo e sorridente, Pedro Henrique e com ele nossa felicidade de ter gêmeos na família, mesmo que espiritualmente e de coração.  O meu peito tá apertado, ainda não conheço os dois pessoalmente, moram em Cuiabá-MT e eu aqui em Maceió-AL. Estava tudo programado para uma viagem e veio essa pandemia. Agora é esperar e controlar a ansiedade fazendo vídeos chamadas diariamente.

Na foto a familia, Fadu, Lécia e  os três filhos. Lucca, Pietra e Pedro Henrique.

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Primeira Edição © 2011