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Estreou em 1973 como repórter do Diário de Pernambuco, do qual foi redator e editor setorial. Foi editor-geral do Diário da Borborema-PB, Jornal de Hoje e Jornal de Alagoas. Foi colunista político e editorialista de O Jornal. Exerceu os seguintes cargos: Coordenador de Comunicação da Assembleia Legislativa de Alagoas, Delegado Regional do Ministério do Trabalho, Secretário de Imprensa da Prefeitura de Maceió e Secretário de Comunicação de Alagoas. Atualmente é editor-geral do PRIMEIRA EDIÇÃO.

Uma explicação simples para a vitória do deputado JHC

30/11/2020 10:45

 

O deputado João Henrique Caldas, o JHC, venceu a eleição apoiado na palavra mágica ‘mudança’, que não constitui fenômeno, mas uma determinante do processo eleitoral. Prefeito se elege e se reelege, e pronto. Vem uma alternância, outro assume o poder para, quatro ou oito anos depois, passar o bastão.

Mas JHC não venceu a ‘disputa pessoal’ com Alfredo Gaspar, e não o poderia, pois isso representaria tremenda contradição do eleitor. O que prevaleceu foi o discurso centrado na palavra ‘continuísmo’, isto porque Gaspar, um estreante (o único realmente novo no processo) se conectou a Rui Palmeira, prefeito em final de segundo mandato. E o fato é que as pessoas queriam um nome novo, mas um novo que não significasse, em nenhuma hipótese, a continuação de um projeto que já se completara.

Neste espaço, eu disse repetidas vezes que Alfredo Gaspar era um nome para concorrer ao governo do Estado. Seu histórico como procurador de Justiça e como secretário de Segurança lhe credencia a participar de uma sucessão estadual. Sua derrota ecoa forte nesse momento, mas daqui a meses, os desafios da cidade, os problemas que o futuro prefeito terá de enfrentar, ajudarão a reabilitar e recompor a imagem do candidato vencido.

A campanha também pesou. A mais organizada, a mais insinuante foi a do Davi Filho, porém, no segundo turno, a de JHC superou em muito à do Gaspar. Na largada, Alfredo deveria ter sido apresentado como o ‘xerife’, palavra associada ao seu desempenho à frente da Segurança Pública, onde tirou Alagoas do topo da criminalidade no País. ‘Xerife neles’, simples e objetivo.

Mas, é o processo político. O eleitor, a maioria, optou por JHC sabendo que ele não terá como cumprir a maior parte das promessas. Não haverá meios, recursos para tal. Vai depender de ajuda federal e do próprio governo do Estado. Claro que ele, em campanha, não poderia dizer isso, mas é a realidade.

A alternância é um processo natural. Cícero Almeida, bom prefeito, tentou o terceiro mandato, após um intervalo, e perdeu feio para o próprio Rui Palmeira. Se não se desenganar com a política, após todo o desgaste da campanha e o resultado negativo, Alfredo Gaspar poderá emplacar um projeto eleitoral vitorioso mais adiante. O próprio tempo se encarregará de reabilitá-lo naturalmente.

E JHC, que no jogo eleitoral de 2016 chutou na trave, agora mandou para o fundo das redes e venceu a contenda com um gol

que entra para a história política de Maceió como memorável.

De parabéns, igualmente, o vice Ronaldo Lessa, cujo histórico político também pesou – e muito – a favor da campanha vitoriosa.

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Segundo turno em Maceió, a hora da verdade nua e crua: Alfredo Gaspar x João Henrique Caldas

17/11/2020 14:27

 

O segundo turno das eleições majoritárias – prefeito, governador e presidente da República – foi instituído pelo Congresso Nacional com um objetivo claro: impedir que determinado candidato se eleja com os votos de uma minoria do eleitorado. Como, em geral, são vários os concorrentes, a população votante se fraciona e ocorre que, mesmo sendo o mais votado, o candidato vitorioso no primeiro turno acaba sendo escolhido pela minoria do conjunto dos eleitores. Daí a solução oportuna e democrática de levar os dois mais votados para um turno final.

Representa, óbvio, mais investimentos, mobilização de juízes, mesários, Ministério Público, Polícia Militar, fiscais, significa também mais gastos com propaganda nas ruas, no rádio e na televisão, mas é a fórmula que leva ao confronto justamente os postulantes contemplados com a preferência da maioria.

A vantagem do sistema consiste, ainda, na ‘despoluição’ do cenário da disputa. Com 10 candidatos, a campanha em Maceió acabou embaralhada, com postulantes distintos defendendo as mesmas ideias, apresentando as mesmas propostas, de modo que o eleitor termina ficando sem condições de analisar detidamente os programas, todos eles recheados por promessas intermináveis.

O segundo turno, previsto para o próximo dia 29, significará o ponto culminante da disputa inicial, porém com um cenário mais definido e transparente. São apenas dois finalistas, cada um com suas próprias ideias, sem conflitos de propostas, a permitir que o eleitor possa fazer uma escolha consciente, sem dúvidas.

Exatamente por isso, graças à filtragem do processo, cada candidato no segundo turno será dissecado e terá sua trajetória política exposta sem retoques e sem disfarces.

Seria oportuno, interessante, um debate na televisão aberta para mostrar, também, a capacidade de cada um de expressar suas opiniões e defender seus projetos sem a velha maquiagem e os manjados artifícios dos estúdios que gravam para o Guia Eleitoral. Um debate ao vivo, ‘cara a cara’ com os eleitores.

A batalha em Maceió confrontará a expériência de Alfredo Gaspar e a impetuosidade de João Henrique Caldas, o JHC.

 

PONTO PARA PEDRO AUGUSTO NO COMANDO DO TRE

Com a competência e o equilíbrio de sempre, o desembargador Pedro Augusto Mendonça conduziu com muita firmeza e lucidez todo o processo eleitoral em Alagoas. Empossado na presidência do Tribunal Regional Eleitoral em janeiro de 2019, Pedro Augusto trabalha no comando da Justiça Eleitoral com a mesma desenvoltura e eficiência que apresenta no Tribunal de Justiça.

 

SISTEMA PRÓPRIO DE UMA REPUBLIQUETA

O sistema político brasileiro é um modelo anárquico, próprio de uma republiqueta. Com quase 40 partidos registrados na Justiça Eleitoral, o que não deveria ser sequer figuração, virou ‘protagonismo’ de araque. A política tupinambá, hoje mais do que nunca, vive de esbanjamentos financeiros, trapaças e escândalos. Mas todos fingindo que o processo é sério, exemplar...

 

ALCIDES FALCÃO, UM AMANTE DAS SERESTAS...

O ex-deputado Alcides Falcão, que faleceu na madrugada de quarta-feira, 11 de novembro (causando luto e tristeza em familiares e amigos), tocava violão e cantava muito bem. Nos tempos dourados, de belas músicas, com poesia e riqueza melódica, Alcides costumava incursionar nas noites enluaradas, protagonizando impagáveis serestas.

 

...E UM CRÍTICO DO INSTITUTO DA REELEIÇÃO

Em seus escritos publicados semanalmente no Primeira Edição, Alcides Falcão criticava bastante o instituto da reeleição, lembrando que, no passado, prefeito, governador e presidente podiam concorrer a um novo mandato, mas não de forma sequencial. Só quatro anos depois. Ele dizia que, ao final das contas, havia mais gestores ruins do que bons, no 2º mandato.

 

CINEASTA DO ‘PORTA DOS FUNDOS’ É MORTO NO RIO

O cineasta Cadu Barcellos, de 34 anos, foi esfaqueado e morto na Rua Uruguaiana, em Copacabana, durante um assalto na violenta noite de terça-feira (10) no Rio de Janeiro. Cadu Barcellos era diretor-assistente do ‘Porta dos Fundos’, o mesmo grupo que produziu a ‘A primeira tentação de Cristo’, narrativa desdenhosa em que Jesus aparece como um gay.

 

MORRE WALQUIRIA, FILHA DO GOVERNADOR SURUAGY

A coluna registra com pesar o falecimento, na sexta-feira (13 de novembro) de Walquíria Suruagy, que nos últimos dois anos lutou contra grave enfermidade. Conceituada servidora da Justiça do Trabalho, em Alagoas, Walquíria era filha do ex-governador Divaldo Suruagy e da professora Luzia Suruagy. Nossas condolências aos familiares e amigos.

 

 

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Opções do maceioense para escolha do próximo prefeito neste domingo 15

13/11/2020 13:40

O eleitor de Maceió está diante de um número recorde de candidatos à Prefeitura, na eleição do próximo domingo, 15 de novembro. São 1º concorrentes, homens e mulheres, mas a maioria apenas concorre, participa do processo, com chances mínimas de gestar uma ‘zebra’ nas urnas eletrônicas.

Quatro postulantes, entretanto, estão no jogo – Alfredo Gaspar, João Henrique Caldas, Davi Davino Filho e Cícero Almeida. Desses, três são conhecidos do grande público pelo que já fizeram ou mesmo por sua participação em outras batalhas eleitorais.

Cícero Almeida, que nunca esteve bem nas pesquisas, foi vereador, deputado estadual e federal, mas deixou sua marca como prefeito, autor de muitas obras físicas, um legado.

João Caldas, o JHC, não atuou como gestor, mas se firmou na política agindo com independência na Assembleia Legislativa, onde ganhou projeção denunciando desvios de recursos da folha de pagamento. Foi o terceiro colocado na sucessão de 2016, vencida por Rui Palmeira na disputa final com Cícero Almeida.

Davi Filho é o menos conhecido, um novel na política, deputado estadual, mas tem a marca de família – é filho do vereador Davi Davino, há 28 anos com mandato na Câmara de Maceió. Despontou como ‘terceira via’ exatamente por não ser conhecido, o que lhe permitiu se apresentar como o ‘novo’.

Alfredo Gaspar não é político, um advogado com passagem afirmativa pelo Ministério Público Estadual, onde combateu a corrupção de forma implacável, e com atuação de destaque na Secretaria de Segurança Pública, levado que foi pelo governador Renan Filho. Seu legado: venceu a bandidagem e devolveu ao alagoano – sobretudo, ao maceioense – uma sensação de segurança que não exista há muitos anos.

Cada candidato se diz capaz e isso faz parte do jogo eleitoral. Cabe ao eleitor, portanto, refletir e votar com consciência. Pesquisando e analisando, principalmente, a origem política e a trajetória de cada postulante. Não é uma escolha difícil.

 

MARCOS ENGAJADO NA REELEIÇÃO DE SILVÂNIA

Reeleito para mais dois anos como 3º secretário da Assembleia Legislativa, o deputado Marcos Barbosa se agiganta nos períodos eleitorais. Não bastasse suas atividades na Casa de Tavares Bastos e sua atuação como presidente do CRB, Marquinhos esteve engajadíssimo na batalha pela reeleição de Silvânia Barbosa, que concorre à reeleição na Câmara de Maceió. “Quem vota na Silvânia vota em mim”, lembrou o tempo todo o deputado Marcos Barbosa.

 

ALFREDO – SEM ATAQUES, SEM CITAR ADVERSÁRIOS

O estilo faz o político, e Alfredo Gaspar, o 15, está ensinando isso. Apesar de atacado por Davi Filho no Guia Eleitoral, o homem que derrotou a bandidagem em Alagoas, quando secretário de Segurança, fez sua campanha sem criticar ou sequer fazer menções aos adversários. “E nem precisa – diz um eleitor – pois o maceioense sabe quem é quem nessa corrida à Prefeitura”.

 

UM MÉDICO SERVINDO AO POVO EM MARECHAL

Médico, exemplo de ética e competência, oficial reformado do Corpo de Bombeiros, Everaldo Souto – ou simplesmente Dr. Everaldo – caminha firme para se reeleger vereador em Marechal Deodoro, onde atua defendendo os interesses da cidade e os anseios da população. Aliado do prefeito Cláudio Filho (Cacau), Dr. Everaldo exerce o mandato com dedicação e seriedade – e concorre à reeleição com o número 13.456.

 

RENAN FILHO É O MAIOR CABO ELEITORAL

A tentativa, insistente, de associar Alfredo Gaspar ao senador Renan e ao governador Renan Filho, de forma pejorativa, é mais um tiro pela culatra e atinge os próprios autores. Simples: tentaram produzir algo negativo à imagem de um governador que tem aprovação de mais de 80% da população maceioense.

 

DE RECUO EM RECUO, BOLSONARO VAI RECUANDO

De tantas idas e vindas, Bolsonaro tem tudo para entrar para a história como o ‘presidente dos recuos’. Primeiro, ele nega as coisas com veemência. Depois, de mansinho, dá meia volta e acaba aceitando o que poucos antes rejeitara. Está sendo assim, também, com relação à vacina chinesa contra o coronavírus.

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Duas perguntas aos eleitores de Maceió

01/11/2020 14:41

Esta semana, um observador político fez a seguinte colocação: “O que pode fazer, o próximo prefeito de Maceió, se não contar com o apoio, o empenho e a coloração do governador?”.

- Essa questão – disse ele – deveria ser dissecada à exaustão durante a campanha, pelo que tem de determinante quanto ao desempenho do futuro administrador da capital.

Para esse observador, no interior do Estado, tal discussão não pesa muito porque os municípios vivem dentro de limites conhecidos e que os tornam todos praticamente iguais, ou quase.

Na capital, contudo, o cenário é outro. Os problemas são imensos e os desafios são insuperáveis, e até agravados, se o gestor contar apenas com os recursos a que o município tem direito.

O próprio Rui Palmeira, segundo o analista, teria feito um trabalho amplo, difuso e objetivo, com mais projetos e obras, atendendo mais a população, se em razão da campanha eleitoral de 2018 sua relação com o governo do Estado não tivesse sofrido uma ruptura, reparada tardiamente nos últimos meses.

- Renan Filho melhorou a mobilidade urbana, com Eixos Viários na Av. Fernandes Lima, está viabilizando um viaduto que vai acabar com o terrível nó viário no Tabuleiro, fez uma revolução urbana em mais de 50 grotas e presenteou Maceió com dois grandes hospitais (Metropolitano e da Mulher) e um Centro Cardiológico para Crianças, além de ter posto para funcionar duas UPAs (Unidade de Pronto Atendimento). Reformou e ampliou escolas, construiu quadras esportivas, restaurou o Rei Pelé. E, na pandemia, situou Alagoas entre os estados com a menor taxa de mortes e contágios do coronavírus. Mais: com Alfredo Gaspar na Segurança, derrotou a bandidagem que assolava a capital. E tudo isso acaba se diluindo no cenário da gestão do próprio Rui...

Agora, e se o governador, por dissensões com o prefeito, tivesse optado por investir mais e mais apenas no interior?

O observador arrematou sua análise asseverando que o eleitor maceioense, pensando unicamente no futuro da capital, deve se colocar (ou ser colocado), diante de duas questões:

1 – o que esperar de um futuro prefeito sem apoio do governador?

2 – qual dos atuais candidatos tem o apoio do governador?

 

SILVANIA BARBOSA NA LUTA PELA REELEIÇÃO

A disputa é acirrada, tem candidato apelando para o ‘vale tudo’, mas a vereadora Silvania Barbosa se mantém fiel ao seu estilo. Em busca da reeleição, faz campanha mostrando a essência do trabalho que realiza com obstinação e competência, dentro da Câmara e nos bairros que defende e representa, como Poço, Centro, Prado, Trapiche, Ponta Grossa, Vergel, dentre outros.

 

VEREADORA TEM APOIO DE RENAN FILHO

Assim como Kelmann Vieira, presidente da Câmara, Silvania Barbosa tem como principal parceiro, na atual campanha, o governador Renan Filho que, segundo o Ibope, tem avaliação positiva de mais de 80% dos maceioenses, quando somados os itens bom, ótimo e regular. É um recordista em popularidade na história dos governadores alagoanos. E um apoiador decisivo.

 

O DÓLAR, GUEDES, AS DOMÉSTICAS E O POVO

Funciona assim: o dólar sobe, o produtor rural – diante do real em queda – prefere exportar, e o preço do produto, obviamente, dispara. É o caso, por exemplo, do óleo de soja. Mas o dólar sobe, também, porque Paulo Guedes, o cérebro financeiro de Bolsonaro, não admite que empregada doméstica possa comprar a moeda norte-americana para fazer um passeio à Disney.

 

O GOVERNO E A PRIVATIZAÇÃO DO SUS

Para provar que é um liberal desvairado, Paulo Guedes só não vende o Banco do Brasil e a Caixa Econômica porque o Congresso não vai permitir nunca. Mas isso não incomoda o genial ministro. Afinal, ele já convenceu Bolsonaro a editar um decreto que abre caminho para a privatização do SUS. Decreto, aliás, revogado 24 horas após enxurrada de críticas...

 

CRISTIANO MATHEUS, O POLÍTICO ITINERANTE

Cristiano Matheus decidiu mesmo se impor o título de ‘político ambulante’. Vereador em Maceió (depois foi deputado federal), o ex-repórter policial mudou-se para Marechal Deodoro, onde se elegeu prefeito e, agora, deslocou-se para disputar a Prefeitura de Pão de Açúcar. O que não falta ao Matheus, como se vê, é domicílio eleitoral.

 

ENROLADO, RUSSOMANO CONTA COM ROLLO

Em São Paulo, Celso Russomano interpreta, mais uma vez, o papel de cavalo paraguaio. Larga em disparada e desaba logo adiante. Agora, está enrolado num processo de dívida de um bar que ele tinha em Brasília. A dívida superar os R$ 7 milhões. Mas o ‘patrulheiro do consumidor’ já tem um advogado cujo nome não poderia ser mais esclarecedor: Arthur Rollo.

 

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Marco Aurélio, o bandido e a sociedade estarrecida

20/10/2020 15:18

O prato indigesto, servido à sociedade atônita, continua no cardápio do Supremo Tribunal, onde o ministro Marco Aurélio Mello estrilou depois que o presidente da Corte, Luiz Fux ordenou a recaptura de um famigerado traficante, que o primeiro havia posto em liberdade. Alguns pontos a considerar:

- o traficante que Marco Aurélio mandou soltar é descrito pela mídia como ‘importante chefe do PCC - Primeiro Comando da Capital” – e escafedeu-se após a decisão no STF.

- imediatamente após a concessão do habeas-corpus, o presidente do Supremo, Luiz Fux, revogou a medida e determinou que o afamado traficante fosse de novo recolhido à prisão.

- Indiferente ao clamor da sociedade contra as leis que beneficiam a bandidagem, Marco Aurélio reagiu chamando o ato de Fux de “hipocrisia” e defendeu sua decisão com o belíssimo argumento de que exercitou o ‘direito positivo’ (o que está escrito na lei).

Claro, a sociedade, advogados, juristas, políticos reagiram defendendo Fux e acusando Mello de favorecer um traficante. Mas o ministro, conhecido no Supremo como ‘voto vencido’, tem razão em um ponto: a lei anticrime, que Sérgio Moro formatou com texto implacável contra criminosos, sofreu vetos de Bolsonaro e foi desfigurada pelo Congresso. Como está, ela diz que a prisão preventiva tem que ser revogada se, após 90 dias, o Ministério Público não pedir sua renovação. E o MP, no caso traficante André de Oliveira Macedo, não pediu.

Mas, um ponto capital: a revista ‘Crusué’ descobriu que o habeas-corpus foi impetrado pelo escritório de um ex-assessor do ministro Marco Aurélio. Ele disse que ‘não sabia’ (mas, devia saber). E a razoabilidade, tantas vezes invocada por Mello e os magistrados em geral? É razoável soltar um traficante em tal circunstância? O que vale mais, a lei ou a sociedade?

Marco Aurélio Mello, indicado por Collor ao Supremo, vai se aposentar no próximo ano. E muita gente estará coberta de razão quando ecoar o popular ‘já vai tarde’.

 

O CIDADÃO NÃO CONSEGUE ENTENDER

A Justiça Eleitoral tenta convencer o eleitor a encarar o processo eleitoral com seriedade, mas está difícil. O cidadão não entende e não assimila certas decisões da própria Justiça Eleitoral. Exemplo: o TRE do Rio de Janeiro decretou a inelegibilidade do prefeito Marcelo Crivela. Um tribunal. Dias depois, o TSE (o tribunal eleitoral superior) decidiu que Crivela pode se eleger. Pode?

 

A LEI NAO DEVERIA DEFENDER A SOCIEDADE?

Que país é esse? Foi preciso que um ministro do Supremo (Marco Aurélio Mello) soltasse um traficante famigerado (e outro ministro decidisse o contrário) para, estupefata, a sociedade se dar contar de que uma brecha que o Congresso abriu na lei anticrime beneficia até criminosos de reconhecida periculosidade.

 

TRÂNSITO JULGADO: QUEM VIVER PAGARÁ

A questão mais séria é: dispositivo da Constituição Federal prescreve que qualquer criminoso – não importa o que fez, nem as provas que o incriminem – não pode cumprir pena apenas com condenação em primeira e segunda instâncias, mas somente quando todos os recursos forem esgotados. Ou seja, sabe quando o bandido vai ser mandado para a cadeia?...

 

UM PRODUTO PARA BARGANHA ELEITORAL

Aliás, a PEC que institui a prisão em segunda instância (cumprimento de pena após condenação por um tribunal) só espera um sinal verde do deputado Rodrigo Maia para voltar a tramitar. Mas não vai, por enquanto. A tramitação será retomada em fins de 2021 ou início de 2022, ano das eleições gerais. A tramitação, e não aprovação, bem entendido.

 

O CICLO EXISTENCIAL DO CORONAVÍRUS MUDOU

Os estudos divulgados até aqui confirmam que o novo coronavírus tem um ciclo de existência ativa de 14 dias. Completado esse período, ele se desintegra. Não morre, pois vírus não tem vida. Bom, agora surgiu outro estudo dizendo que o novo corona se mantém ativo por até 28 dias, na tela de um celular. Pode?

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Primeira Edição © 2011