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Estreou em 1973 como repórter do Diário de Pernambuco, do qual foi redator e editor setorial. Foi editor-geral do Diário da Borborema-PB, Jornal de Hoje e Jornal de Alagoas. Foi colunista político e editorialista de O Jornal. Exerceu os seguintes cargos: Coordenador de Comunicação da Assembleia Legislativa de Alagoas, Delegado Regional do Ministério do Trabalho, Secretário de Imprensa da Prefeitura de Maceió e Secretário de Comunicação de Alagoas. Atualmente é editor-geral do PRIMEIRA EDIÇÃO.

Foi-se o 'mais desqualificado da história'

17/09/2017 09:01

Há uma máxima no direito latino, aplicada nos tribunais de todo o mundo civilizado, segundo a qual é melhor soltar mil condenados do que prender um único inocente. Voltaire, o grande pensador francês, sentencia em outras palavras: “É melhor correr o risco de salvar um homem culpado do que condenar um inocente”.

Aforismos desse naipe são conhecidos até por colegiais, futuros estudantes de Ciências Jurídicas. Como pode, pois, um procurador-geral da República, ignorá-los? Rodrigo Janot, que acaba de deixar a chefia do Ministério Público Federal, fez precisamente o contrário: pediu a condenação de três inocentes.

Em julho passado, Janot denunciou ao Supremo Tribunal os senadores Renan Calheiros e Romero Jucá e o ex-presidente da República José Sarney. Com base em quê? Em conversa de Sérgio Machado, ex-diretor da Transpetro, que fabricou acusações sem prova e, em troca, leva hoje uma vida de Nababo.

O mais escandaloso no episódio é que foi o próprio Janot, na despedida da Procuradoria-Geral, quem pediu para o Supremo arquivar a denúncia. E não por ação própria, mas porque a Polícia Federal concluiu que não havia nada contra os três políticos acusados. Rodrigo Janot havia feito uma ‘denúncia preventiva’.

Bom, e os danos, quem vai pagar? Com base na flechada, Renan quase perdia a presidência do Senado, enquanto Jucá simplesmente perdeu o cargo de ministro do governo Temer. O próprio Janot, em ato de abjeta perseguição, chegou a pedir a prisão de Renan. Era a máxima latina sendo vilipendiada.

Felizmente, acabou. A República está livre de um trapalhão, deslumbrado e incompetente. O pior advogado que já se sentou na cadeira de chefe do Ministério Público Federal. Ou, o "mais desqualificado da história da PGR", na diatibre severa do ministro Gilmar Mendes.

 

VISITANDO A ALE

No meio da semana, Alcides Falcão percorreu as dependências da Assembleia Legislativa, recebendo cumprimentos de servidores e lembrando os tempos em que atuou na Casa de Tavares Bastos.

 

AMIGO DO SERVIDOR

Irmão do governador Sebastião Muniz Falcão, Alcides teve desempenho destacado no Legislativo Estadual, inclusive atuando muitos anos como uma espécie de ‘patrono’ do servidor público.

 

MILLER PEGA JANOT, JANOT PEGA MILLER

A briga está feia entre Rodrigo Janot, que já não é mais procurador-geral da República, e Fernando Miller, seu ex-assessor. Janot pediu a prisão de Miller, junto com Joesley Batista e Ricardo Saud, da JBS. Como revide, Miller pede que Janot agora seja ouvido pelo Supremo Tribunal Federal. Ambos têm muito o que falar – um contra o outro, inclusive.

 

REAJUSTE DO IPTU

O prefeito João Doria acaba de anunciar um aumento de 3% para o IPTU da capital paulista em 2018. Um parâmetro para Rui Palmeira, que costuma reajustar o imposto acima da inflação.

 

“ALMA EM PAZ”

O ministro Gilmar Mendes atacou o colega Edison Fachin por ter homologado a delação da JBS. Fachin negou constrangimento e resumiu: “Alma está em paz”. Mas, a alma de quem?

 

MAIS UM DESENCANTADO COM A POLÍTICA

Desencantado com o rumo da política, o ex-vereador Edberto Ticianelli não quer saber de candidatura. Antigo militante do PCdoB, hoje filiado ao PT, Ticianelli deixou a seara política e, atualmente, pilota um site muito bem diversificado e atualizado. Sobre as futuras eleições e a chance de sair candidato, resume: “Eu ainda estou filiado ao PT”. Disse tudo.

 

MAIS DEMISSÕES

O Bradesco conseguiu a adesão de quase oito mil funcionários em seu Programa de Demissão Voluntária. Mas o Banco, um dos maiores do Brasil, já planeja realizar um enxugamento maior.

 

BOLSA NUMA BOA

Deu a louca no mercado financeiro. Quanto mais o circo político pega fogo, mais as ações da Bolsa de Valores sobem. Já o dólar se aproxima dos R$ 3,00 e isso pode gerar intervenção do BC.

 

DINHEIRO PARA A UFAL E INSTITUTOS FEDERAIS

O ministro Mendonça Filho (Educação) acaba de autorizar a liberação de R$ 20 milhões para universidades e institutos federais de Alagoas. O valor corresponde ao repasse financeiro para as instituições e ao aumento de cinco pontos percentuais no limite para empenho do orçamento para custeio e para investimento. A Ufal, como se sabe, estava ameaçando fechar.

 

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A bomba que implodiu a credibilidade do Ministério Público Federal

10/09/2017 12:57

Depende da posição do observador, ou do ângulo da abordagem. O título é muito abrangente, o que implodiu não foi, com certeza, o Ministério Público Federal, mas sua credibilidade. A instituição se sustenta, obviamente, mas sua confiabilidade foi para o espaço sob a regência desafinada do maestro Rodrigo Janot.

A bomba que explodiu no colo de Janot, no início da semana, terá efeitos devastadores. As gravações, que atingem os empresários da JBS, o Ministério Público e até o Supremo Tribunal Federal, levam rapidinho a uma conclusão: a delação de Joesley Batista não foi um acordo normal, mas uma arrumação para acomodar os interesses do rei da carne e satisfazer a ideia fixa do procurador-geral, isto é, a derrubada do presidente Michel Temer.

Num dos áudios-bomba ouve-se um executivo da JBS revelar: “O cara disse que tem cinco ministros do Supremo na mão”. O próprio Janot, após ouvir os grampos, não se conteve: “São gravíssimos”. E, no entanto, o procurador-geral baseou-se nessa gente para denunciar o presidente, sem sequer, antes, periciar a gravação, feita no Jaburu, para verificar sua autenticidade.

Quando Gilmar Mendes chamou Janot de ‘o procurador-geral mais desqualificado da história da PGR’, não houve resposta, nenhum revide. Por quê? Que medo fez o chefe do Ministério Público manter-se silente diante de tão grave assertiva?

O que resta saber, a partir de agora, é que interesse presidiu as demais delações premiadas. Em várias delas, já se sabe, os procuradores buscavam o que queriam, e não os fatos, a verdade. Estão aí os casos flagrantes de Sérgio Machado, que mentiu, e de Delcídio Amaral, que também mentiu, mas ganharam benefícios porque disseram o que os procuradores queriam ouvir...

É lastimável, profundamente lastimável, que um processo da importância e seriedade da Lava-Jato esteja comprometido pela relação promíscua e inaceitável de membros do Ministério Público com bandidos e cafajestes travestidos de colaboradores.

 

UM DESQUALIFICADO

Quanto vale a palavra de Joesley Batista, depois que ele veio a público admitir que é um mentiroso? Ou: se o Joesley de hoje mente, por que o de ontem teria falado a verdade?

 

TAMPOU O CAIXÃO

Não existe mais defesa para Lula, não depois da delação de Antônio Palocci. Não se trata de um simples delator, mas de um político com DNA petista, isto é, um ente da família petista.

 

MOTOS, ACIDENTES, SMTT, VÍTIMAS...

Em apenas meia hora, na tarde de terça-feira (5), foram registrados três acidentes na Av. Fernandes Lima. Todos com vítimas (assistidas pelos socorristas do Samu) e todos envolvendo motocicletas. Enquanto isso, a SMTT ignora ‘o papel’ das motos na estatística de acidentes, fala em redução de casos e enche a cidade de pardais ‘para salvar vidas humanas’...

 

O TETO DESABOU

A Constituição fixa o vencimento do ministro do STF como teto salarial do servidor público. É, mas vem o mesmo STF e diz que penduricalhos não entram nos cálculos. Ou seja, desabou o teto.

 

FORTUNA INTEGRAL

O TJ-MT pagou, de uma penada, R$ 503 mil a um juiz a título de ‘atrasados’. Não poderia, para evitar urros de indignação, ter ao menos dividido a bolada em cinco parcelas de R$ 100 mil?

 

ALFREDO AURÉLIO PODE DISPUTAR ELEIÇÃO 2018

Cardiologista, autor de consagrado livro sobre a responsabilidade ética dos médicos, o mestre Alfredo Aurélio Rosa Marinho, com destacada atuação na Santa Casa e no Hospital Vida, tem planos para ingressar na política. Vislumbrando uma campanha mais ética e menos endinheirada em 2018, ele admite que poderá disputar um mandato de deputado estadual. “O primeiro passo – informa – é definir por qual partido”

 

VOO PREVISÍVEL

Trilhando sempre o caminho da ética, o deputado Rodrigo Cunha dificilmente permanecerá no PSDB, depois do bombardeio sofrido pela cúpula tucana nacional nas investidas da Lava-Jato.

 

BOM DE VOTO

Com o fim das coligações nas eleições legislativas (passa a valer o voto majoritário), o ex-vereador Arnaldo Fonton bem que poderia voltar à cena política já nas próximas eleições.

 

OU PROCESSA JANOT OU ACEITA O QUE DENUNCIA

Após tachar Janot de ‘mais desqualificado da história da PGR’, Gilmar Mendes acusa o procurador-geral de ‘desequilibrado’ e uso de delação para promover ‘vingança política’. Bom, depois disso, ou Mendes processa Janot, ou aceita, apenas com gemidos, o que julga ser armações do procurador para atingi-lo.

 

O INATINGÍVEL

No meio do turbilhão, o beato Joesley Batista asseverou, cheio de humildade: “Minha chance de ser preso é zero”. Portanto, o ‘rei da carne’ se põe acima de tudo, inclusive do Supremo Tribunal.

 

FONTE DE JANOT

O que impressiona, nesse filme de atores calhordas, é saber que Rodrigo Janot usou palavras e métodos de um Joesley Batista para atingir, sem provas, a figura do presidente da República.

 

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Renan Filho, o caso Sesau e a saúde pública em Alagoas

01/09/2017 13:14

Que existe algo de errado na Secretaria Estadual da Saúde – vindo lá de trás, com origem em gestões passadas – é mais do que evidente. Quando compra fatiada de remédios e equipamentos deixa de ser exceção e vira regra, o caráter emergencial se transforma em burla à lei. A prática é dolosa e ponto final.

Imperioso, portanto, apurar como e quando começou o esquema, de que forma evoluiu e quem dele se beneficiou. E é justamente o que já está sendo ultimado pelos técnicos da Controladoria Geral da União, assim como pelos agentes da Polícia Federal.

O que a sociedade alagoana, cansada de lances de oportunismo político, não aceita é a tentativa de se usar uma questão pontual para atingir um governo que, pelos seus atos e ações em todas as áreas, tem se revelado como modelo de correção e seriedade.

O que disse Renan Filho ao saber da operação envolvendo a Sesau, ao regressar de Brasília? “Quero uma investigação profunda e que os culpados, se houver, sejam punidos”. E acabou.

Evidente que o oportunismo político emerge em tais situações Vê-se aqui e ali um ou outro aliado da oposição forçando a barra, tentando envolver o governador. Mas não funciona, não produz efeito porque o alagoano está vacinado contra cretinices. E a própria realidade estadual se encarrega de salientar a verdade.

Um governador mal-intencionado não instalaria o mais completo Portal de Transparência do País, elogiado pela própria Procuradoria Geral da União. E que, por sinal, foi o que permitiu a detecção das aquisições fracionadas na Pasta da Saúde.

Nem investiria tanto na estrutura da saúde para atender o povo. A reabertura da Maternidade Santa Mônica e a construção de quatro hospitais – o Metropolitano, o da Mulher, o de Cirurgia Cardíaca da Criança e o Regional de Porto Calvo – são obras que colocam Alagoas na vanguarda nacional de um setor público crucial. De modo que, com ações, também, na educação e na segurança, a mudança em Alagoas deixou de ser um compromisso ou simples eco de campanha para projetar-se como realidade inquestionável.

                                                                                  A REPORTAGEM GLOBAL SOBRE O HOSPITAL GERAL

A reportagem do Fantástico sobre o HGE é atual, mas fora de contexto. Tivesse informado que há 50 anos Alagoas tem a mesma estrutura hospitalar, e que, somente no atual governo está ganhando quatro hospitais novos, a matéria global, aí, sim, teria saído completa e contextualizada. Mas acontece que, se assim fosse, o HGE obviamente não teria sido objeto de reportagem.

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A reforma eleitoral e o interesse que vai prevalecer

25/08/2017 22:35

De tão séria, porque ponto de largada para uma real transformação no país, a reforma do sistema político e eleitoral deveria será gestada, discutida, analisada e votada por um colegiado específico, eleito exclusivamente para tal fim.

Hoje, a competência do Congresso Nacional para aprovar e reformar leis é indiscutível, está prevista na Carta Maior. Questionável é a falta de isenção e de propósitos do atual Parlamento para aprovar mudanças que, convergentes com os anseios nacionais, colidem com os interesses dos parlamentares.

Somente os mais ingênuos acreditam que os políticos, eleitos sob as regras hoje vigentes, se disporão a modificá-las e até suprimi-las, de modo a dificultar-lhes a renovação dos mandatos.

Mudanças vitais à oxigenação do sistema eleitoral não serão introduzidas de forma plena. Os avanços, se houver, serão tímidos, parciais, aquém do que a nação espera. Mesmo o fim da eleição proporcional para as casas legislativas – que representa uma fraude à vontade do eleitor, como entende o senador Renan Calheiros – encontra forte resistência por parte, principalmente, dos deputados, os grandes beneficiários do atual sistema.

Lamentavelmente, pretende-se manter a figura indefensável do suplente de senador, aquele sortudo que – afastado o titular – assume a cadeira no Senado sem jamais ter sido votado, pois se trata de personagem anônimo e desconhecido dos eleitores.

Com quase um terço de seus membros respondendo a algum tipo de processo – os crimes vão de homicídio a estupro, passando pelos irresistíveis atos de corrupção – a Câmara fará uma reforma superficial, do tipo meia-sola, de forma a preservar a essência das regras que consagraram os atuais parlamentares.

Ou seja, as mudanças que a sociedade quer, com profundidade e amplitude, vão ficar, mais uma vez. para um ‘futuro incerto’...

LOCAL IMPRÓPRIO

A cotação de Lula está em baixa, todos sabem, mas o comando do PT foi no mínimo descuidado ao levar o ex-presidente para um ato simples na Fênix, um clube símbolo da elite alagoana.

 

FALTOU POVO

O mais aconselhável seria uma grande concentração no Papódromo, numa área densamente habitada e com 99% dos moradores com perfil de beneficiários do Bolsa Família.

 

SIMPLES ‘QUESTÃO DE MOMENTO’

Lula já recebeu ‘honoris causa’ em Coimbra, onde funciona uma das mais categorizadas universidades do mundo, mas em outro momento, seja, antes das denúncias, dos processos e da recente condenação. Portanto, a entrega de títulos do gênero, agora, aqui no Brasil, parece mais uma afronta ao Judiciário, embora algumas homenagens tenham sido aprovadas em anos atrás.

 

SEM CHANCE

Prefeitos, aliados dos dois senadores, podem naturalmente convergir, no voto, mas não existe perspectiva de formação de uma dobradinha Renan-Benedito rumo ao Senado, em 2018.

 

LEMBRANDO 2014

Aos de memória curta, vale lembrar que em 2014, Renan Filho, hoje governador, teve como adversário principal exatamente Biu de Lira, numa campanha eleitoral das mais acirradas.

 

ANIVERSÁRIO DE UM POLÍTICO DIGNO DE APLAUSO

Familiares, amigos, políticos e correligionários comemoram, nesta terça-feira, 29 de agosto, mais um aniversário do ex-deputado e ex-senador Alcides Falcão. Com modelar atuação legislativa, expoente do velho MDB e depois PMDB, Alcides Falcão figura na galeria dos políticos alagoanos que honraram a delegação eletiva e contribuíram, com trabalho sério e competente, para o desenvolvimento Do nosso Estado.

HERANÇA MALDITA

Na virada de 2015 para 2016, Dilma já trabalhava com um déficit orçamentário superior a R$ 100 bilhões. Era a consequência de sua desastrada ação econômica, que detonou a arrecadação.

 

APENAS HERDEIRO

Temer, por sua vez, foi o herdeiro do caos. Onde o atual governo gastou demais até agora? Logo, o déficit atual é a soma da herança à queda da arrecadação devido ao efeito recessivo.

 

RUI NÃO ESQUECE O APOIO DOS TAXISTAS

Ao priorizar os taxistas, que ajudaram a reelegê-lo no ano passado, Rui tenta preservar um reduto eleitoral de bom porte, mas sem ter, ainda, a contabilidade dos operadores e clientes do Uber. O fato é que o aplicativo Uber fez muitos adeptos em Maceió, mas os taxistas sofrem a concorrência dos clandestinos e até dos moto-taxistas, estes cada vez mais numerosos.

 

TROCA INÓCUA

Se o Congresso Nacional abolir as coligações, na eleição proporcional, e criar ‘federações de partidos’, sem o voto majoritário, terá simplesmente trocado seis por meia dúzia.

 

VALOR INVERTIDO

O que frauda a vontade do eleitor, como reitera Renan Calheiros, é o voto de legenda, nos pleitos legislativos, ao permitir que um candidato ‘poca-urna’, derrote um campeão de votos.

 

ALVOS DAS OVADAS PETISTAS

Alguém joga pedra em árvore que não dá frutos? Mesmos os incautos já perceberam que os petistas não arremessam ovos em João Dória e Jair Bolsonaro por sua ‘fealdade’, mas porque são potenciais adversários de Lula com chances de vitória.

 

 

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Fernando Collor acaba de virar réu no processo da Lava-a-Jato

22/08/2017 17:09

O Supremo Tribunal Federal (STF) aceitou nesta terça-feira (15) uma denúncia contra o senador Fernando Collor de Mello (PTC-AL) na Operação Lava Jato e tornou réu pelos crimes de de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e comando de organização criminosa.

Ele foi acusado de receber mais de R$ 30 milhões em propina por negócios da BR Distribuidora, subsidiária da Petrobras na venda de combustíveis, e agora passa oficialmente a responder ao processo, ao final do qual poderá ser condenado ou absolvido.

Por unanimidade, os ministros da Segunda Turma acompanharam, na íntegra, o voto do relator do caso, Edson Fachin. Votaram com ele Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Ricardo Lewandowski e Celso de Mello.

Apesar do acolhimento da denúncia, os ministros descartaram várias acusações feitas contra Collor no processo, como de peculato (desvio de dinheiro público) e obstrução de Justiça, por suposto embaraço a investigação de organização criminosa.

Além disso, foi descartada a denúncia contra a mulher de Collor, Caroline Serejo Medeiros Collor de Mello, suspeita de lavagem de dinheiro recebido de propina, e de outras quatro pessoas:

  • Fernando Antônio da Silva Tiago, auxiliar parlamentar, que foi acusado de lava dinheiro para o senador;
  • Eduardo Bezerra Frazão, diretor financeiro de empresas de Collor, acusado de lavagem de dinheiro de propina;
  • William Dias Gomes, assessor parlamentar, acusado de lavagem de dinheiro por operar depósitos para o senador; e
  • Luciana Guimarães de Leoni Ramos, acusada de lavagem de dinheiro de dinheiro de propina.

Junto com Collor, responderão como réus na ação Pedro Paulo Bergamaschi de Leoni Ramos, ex-ministro do governo Collor e considerado operador de Collor em diversos negócios; e Luís Pereira Duarte de Amorim, diretor da Gazeta de Alagoas, apontado como testa de ferro e recebedor de propina para Collor.

A decisão do STF não significa que os acusados são culpados, mas que o tribunal vê indícios de delitos.

Agora, durante o curso do processo, as defesas poderão apresentar provas de inocência, com depoimentos de testemunhas e contestações jurídicas. Só ao final, no julgamento, eles serão condenados ou absolvidos.

A denúncia contra Collor, apresentada em agosto de 2015 pela Procuradoria Geral da República (PGR), origina-se de uma das seis investigações sobre o senador abertas no STF, sendo cinco da Lava Jato e outra baseada na delação da Odebrecht sem relação com a Petrobras.

Ele figura agora como o terceiro senador réu na Lava Jato; já ostentam essa condição Gleisi Hoffmann (PT-PR) e Valdir Raupp (PMDB-RO).

Acusação

No total, Collor foi acusado de cinco crimes: corrupção passiva, lavagem de dinheiro, organização criminosa, peculato e obstrução de Justiça.

A principal acusação é de que, em conjunto com outras pessoas, ele pediu e recebeu, entre 2010 e 2014, pelo menos R$ 30,950 milhões em três negócios envolvendo a BR Distribuidora, que tinha dois diretores indicados pelo senador.

O primeiro, para viabilizar que a rede de postos DVBR Derivados do Brasil passasse a revender combustíveis da BR Distribuidora.

O segundo foi a viabilização de quatro contratos entre a BR e a construtora UTC para construção de bases de distribuição de combustíveis.

O terceiro envolveu contrato de gestão de pagamentos e programa de milhagens da BR com a FTC Cards Processamento e Serviços de Fidelização.

Nos três casos, Collor teria atuado em conjunto com diversas pessoas, incluindo seu ex-ministro Pedro Paulo Bergamaschi.

Boa parte da denúncia descreve supostas operações de Collor para ocultar o recebimento da propina, inclusive com a compra de carros luxuosos, imóveis e obras de arte usando dinheiro sujo depositado em suas empresas.

A PGR lista, por exemplo, a compra de:

  • 1 Bentley Continental Flying Spur, por R$ 975 mil;
  • 1 Range Rover SDV8 Vogue, por R$ 570 mil;
  • 1 Ferrari 458, por R$ 1,450 milhão;
  • 1 Porsche Panamera S, pago em espécie, em valor não discriminado;
  • 1 Rolls Royce Phantom, por R$ 1,350 milhão;
  • 1 casa de campo em Campos do Jordão (SP), por R$ 4,5 milhões;
  • 1 terreno litorâneo em Barra de São Miguel (AL), por R$ 450 mil;
  • 4 salas comerciais no edifício The Square Park Office, em Maceió, por R$ 953,7 mil;
  • 1 quadro de Di Cavalcanti e outras obras de arte e antiguidades, por R$ 4,6 milhões;
  • 1 lancha, chamada Mama Mia II, por R$ 900 mil.

O dinheiro teria sido recebido por Collor e sua mulher de diversas maneiras, seja em depósitos no exterior e empresas de fachada, recebimento em espécie, empréstimos fictícios e transferências para a Água Branca e a TV Gazeta, ambas firmas do senador.

Collor é acusado de peculato (desvio de dinheiro público) por nomear em seu gabinete no Senado dois assessores, Cleverton Melo da Costa e Fernando Antônio da Silva Tiago, que não prestariam serviços públicos, mas somente atividades particulares. No total, eles receberam salários que totalizam R$ 327,5 mil por 4 anos.

A acusação de obstrução de Justiça se baseia num pedido de Collor, em agosto de 2014, para devolver créditos depositados em sua conta pessoal. Para a PGR, o objetivo do senador era se desvincular dessas operações para evitar uma investigação sobre o recebimento do dinheiro.

“A denúncia está lastreada em relatórios da própria BR Distribuidora, tem-se quebra de sigilo bancário, análise de mensagens de celulares apreendidos, buscas e apreensões. Em suma, é um conjunto de provas substancioso e não apenas baseado em delações”, disse na sessão a subprocuradora-geral da República Cláudia Sampaio.

Defesa

Na semana passada, em defesa de Collor, o advogado Juarez Tavares afirmou que a denúncia não traz provas concretas de que ele recebeu o dinheiro de propina. Além disso, questionou que contrapartida o senador teria dado para viabilizar os negócios da BR.

“Qual seria o ato de ofício atribuído ao senador para adquirir vantagem? Seria o fato de indicar diretores da BR, o que não é ato de ofício de parlamentar. O que fazia o senador era indicação partidária, desvinculada de ato de ofício. Os diretores não eram nomeados pelo senador, mas pelo presidente da República”, disse o advogado.

Tavares também disse que ele não pode ser condenado por integrar organização criminosa, já que esse crime só foi definido em 2013, após os negócios realizados pela BR.

“Não há nenhuma demonstração de que essa suposta organização criminosa tivesse o mínimo de estabilidade, porque está lastreada em quatro contratos, o que demonstraria fragilidade”, disse o advogado.

Com relação ao peculato, disse não ser possível provar que os funcionários não prestavam serviços públicos, já que trabalhariam no escritório político do senador em Alagoas. Quanto à obstrução de Justiça, disse que Collor pediu para devolver valores que já estavam apreendidos.(Reproduzido do G-1)

 

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Primeira Edição © 2011