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Estreou em 1973 como repórter do Diário de Pernambuco, do qual foi redator e editor setorial. Foi editor-geral do Diário da Borborema-PB, Jornal de Hoje e Jornal de Alagoas. Foi colunista político e editorialista de O Jornal. Exerceu os seguintes cargos: Coordenador de Comunicação da Assembleia Legislativa de Alagoas, Delegado Regional do Ministério do Trabalho, Secretário de Imprensa da Prefeitura de Maceió e Secretário de Comunicação de Alagoas. Atualmente é editor-geral do PRIMEIRA EDIÇÃO.

A disparada do dólar - provocada pelo governo - e a explosão dos preços em geral

28/09/2020 12:18

 

O Brasil enfrenta não apenas sinais, evidências, mas efeitos concretos de uma desorganização de preços que, a cada dia, vai se tornando mais abrangente e com tendência de generalização. Começou há uns dois meses com a disparada do preço do – errou quem imaginou arroz – do maracujá. De repente, sem desaparecer do mercado, o saboroso e nutritivo maracujá tornou-se quase inacessível: a unidade saltou de 50 centavos para um real –aumento de 100%. Por que isso?

Porque, como soja, manga, laranja – o maracujá é exportado e, como se sabe, a cotação do dólar desembestou ao estímulo do gênio da economia Paulo Guedes. Lembre-se que, há alguns meses, o ministro da Economia, em acintoso e abjeto gesto de preconceito repulsivo, defendeu a alta do dólar dizendo que, antes, com o câmbio acessível, até as empregadas domésticas estavam viajando para Nova Iorque.

A lógica de Guedes, no caso específico do câmbio, é uma agressão primária à inteligência: o Banco Central estimula a valorização da moeda americana e, com isso, corrige para cima o valor das reservas cambiais do Brasil, estimada em mais de 330 bilhões de dólares. Um ganho genial, sem dúvida...

Mas com um preço devastador: a subida do dólar abriu caminho para um espetacular embalo às exportações. Traduzindo: o produtor brasileiro, que vive de lucro, decidiu direcionar sua produção para o mercado externo, já que o real havia virado ‘vale de usina’, enquanto dólar multiplicava lucros.

Paulo Guedes, o velho Posto Ypiranga, ficou com a cara mexendo e, como esperado, sem saber o que fazer. Com o câmbio lá em cima, a população brasileira vai ter que se habituar à escassez dos produtos e aos preços cada dia mais elevados. E não adianta, nem Guedes nem outros agentes do governo, dizer que a culpa é do auxílio emergencial que ‘impulsionou as vendas e pressionou os preços’. Pois o material de construção explodiu, também, e não consta que pobres sem emprego e renda estejam comprando, reformando ou construindo imóveis pelo Brasil afora...

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Senador Renan diz que é perseguido e vítima de 'assassinato de reputação'

20/09/2020 11:16

Enquanto delatores se desmentem e negam acusações que viraram ‘notícia’ e enquanto o Supremo Tribunal Federal manda arquivar, uma a uma, as denúncias apresentadas pelo Ministério Público, o senador Renan Calheiros, do MDB de Alagoas, não para de ser acusado, até agora, porém, sem nenhuma prova concludente. 

Alvo de imputações dessas denúncias ao longo de anos, o senador alagoano tem resistido com todas as forças, mas a resistência humana tem limites e, na semana que passou, durante exames de rotina, foi detectado um tumor no rim direito (ambos extraídos) e depois outros tumores menores no corpo. 

Ainda internado, Renan aproveitou para, nas redes sociais, fazer um desabafo gravado em seu quarto no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, onde está sendo tratado.  

No vídeo gravado e postado nas redes sociais, disse que seu propósito era o de relatar o desgaste físico e mental que tem enfrentado por conta de "processos e perseguições absurdos", com mais "absoluta falta de provas". "Mesmo assim, a qualquer momento podem surgir outros absurdos que vão causando danos a minha saúde física e mental. Ano a ano, mês a mês, é uma verdadeira tortura. Ontem mesmo, saindo da cirurgia, fui instado a responder pela 10ª vez a uma denúncia improcedente, nascida de uma delação onde todos os delatores negaram a imputação inicial. Fala-se muito em assassinato de reputações, essas acusações sem prova. O fato é que vale uma sentença de morte em vida, assassinato mesmo. O corpo também se abate", desabafou. 

"São acusações seriadas sem prova, sem materialidade ou fatos, que equivalem a uma sentença de morte em vida, assassinato mesmo", afirmou o senador. "A duras penas tenho procurado manter a serenidade, a sanidade e o equilíbrio, ao mesmo tempo em que faço minha defesa técnica dentro do Estado democrático de Direito, que muitas vezes é violentado por alguns agentes púbicos". 

"A cada fardo retirado, um novo é lançado em minhas costas, parece uma condenação inapelável. No futuro, quando isso tudo passar, a vergonha estará na face daqueles que me condenaram à morte em vida. Por isso, a vontade de viver e lutar não esmorece. Mesmo diante das mais vis das atrocidades, resisto para que isso não se abata mais sobre nenhum outro brasileiro, só assim o Brasil será um país melhor", disse Renan Calheiros 

 

ACUSADOR 

Há cerca de 15 dias, o Conselho Nacional do Ministério Público puniu, com pena de censura, o procurador Deltan Dellagnol, que chefiou o MPF no processo da Operação Lava-Jato, em Curitiba. 

Durante a eleição para a presidência do Senado Federal, em 2018, Dellagnol usou as redes sociais para afirmar que “se eleito, Renan Calheiros dificultaria reformas contra a corrupção”. 

A punição, que o senador considerou ‘branda’ e disse que iria buscar reparação por danos morais, vai atrasar a progressão profissional de Dellagnol e pesar em outros processos. 

 

VISITA DE LULA

Após ser visitado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no Sírio Libanês, Renan Filho postou foto do encontro e comentou:

"Recebi a visita do ex-presidente Lula no hospital. Durante a conversa, ele me perguntou se eu estava bem. Respondi que aguento jogar os 90 minutos, mas que a prorrogação não garanto".

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Principais candidatos em Maceió: Cícero Almeida (2)

07/09/2020 17:27

Teria sido um fenômeno da política alagoana. Por definição, fenômeno é algo passageiro, fugaz, momentâneo. Mas na política não é assim e a história de um Marcos Freire desmente o conceito clássico. E sucede que existe explicação plausível tanto para a ascensão quanto para a ‘queda’ do ex-prefeito Cícero Almeida.

Sua espetacular vitória em 2004, quando se elegeu prefeito de Maceió pela primeira vez, originou-se da ‘exaustão das elites’, mas não só. Certo que Kátia Born estava muito desgastada e Alberto Sextafeira não passava de uma proposta sofrível para a sucessão na capital. O nome emergente e alternativo seria o do empresário João Lyra, mas as pesquisas mostraram que o eleitorado maceioense estava ‘pronto’ para uma mudança radical: trocar um representante do ‘sistema’ por um homem simples, sem curso superior, sem títulos, um ‘homem do povo’.

João Lyra fez a leitura correta das sondagens e decidiu apoiar Almeida – repórter policial, ex-vereador e, naquele momento, deputado estadual. Deu certo, Cícero conquistou a Prefeitura e repetiu o mandato, mas depois cometeu um erro fatal: elegeu-se deputado federal e se mandou para Brasília. Trocou o contato direto e constante com suas bases para remar no Paranaguá, que não era sua praia. O efeito era esperado: sem a aliança com João Lyra e diante das elites ‘recompostas’, Cícero quase perde a vaga na Câmara para o novel Val Amélio. Depois disso, ainda teve uma chance ao enfrentar Rui Palmeira em 2016, mas não deu.

Acabado? Nada disso. Almeida fez muito, deixou marcas de um ótimo prefeito – ao nível de um Dilton Simões – e está no páreo na disputa de novembro. Pesquisa recente lhe atribuiu mais de 9% da preferência doe eleitores. É muito, ele pode evoluir, crescer. E se não conseguir o bastante para levá-lo ao segundo turno, poderá transformá-lo no pêndulo da decisão. Traduzindo: seu apoio poderá ser decisivo para consagrar um dos finalistas.

 

 

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Os principais candidatos em Maceió: Ronaldo Lessa (1)

24/08/2020 14:44

Por ordem alfabética, os principais concorrentes à sucessão do prefeito Rui Palmeira são: Alfredo Gaspar, Cícero Almeida, João Henrique Caldas e Ronaldo Lessa. Os demais estão no páreo? Sim, estão, até porque quem decide a eleição é o eleitor, e não pesquisas, sondagens, enquetes e análises - mas em todo pleito surgem nomes mais chances e neste ano não será diferente. E invertendo a ordem alfabética, este Enfoque inicia uma série de quatro comentários avaliando o potencial desses pré-candidatos.

Ronaldo Lessa tem bagagem, conhece Maceió como ninguém. Foi governador duas vezes, exerceu um mandato de deputado federal – e não se elegeu senador porque a Justiça Eleitoral inviabilizou seu projeto com esse objetivo – mas começou sua carreira como vereador e prefeito de Maceió, após ter cumprindo um mandato de deputado estadual. E ninguém conhece mais a cidade e sua gente do que vereador e prefeito.

Tem a seu favor, por isso mesmo, a simpatia e o apoio dos que de alguma forma foram assistidos, mormente, durante sua passagem pela Prefeitura da capital e pelo governo do Estado, valendo ainda lembrar de sua vigorosa participação nos plenários da Assembleia Legislativa e da Câmara dos Deputados em Brasília.

É dizer que está fácil? Não, e Lessa sabe disso. Experiente, protagonistas de muitas lutas com vitórias e reveses, o líder do PDT alagoano sabe que uma disputa como a deste ano em Maceió exige, por parte dele em especial, um poder de convencimento muito forte. Lessa deve transmitir aos eleitores a mensagem de que já fez muito e pode fazer ainda mais – uma bandeira envolvente, sem dúvida – porém precisa, também, desfazer a ideia de que está concorrendo a um cargo que já exerceu (um cargo de largada para alguém com sua história) apenas para se manter vivo da política. Seus adversários, com certeza, atacarão esse flanco.

Em relação a Alfredo Gaspar e JHC, será concorrente com um discurso voltado para quem já fez e quem pretende fazer. Poderá dizer que o ‘experiente’ é mais seguro do que a ‘experiência’.

 

 

 

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Tributo a um homem de bem

17/08/2020 12:37

A morte de Rogério Teófilo, de certa forma,  não surpreendeu, mas chocou. Com câncer no pâncreas, um dos mais agressivos, seu estado de saúde era delicado, preocupante, já havia algum tempo. Somem-se a isso as sequelas do grave acidente de jipe sofrido nas dunas do Rio Grande do Norte, do qual escapou milagrosamente.

Mas foi um choque, uma comoção, a notícia de seu falecimento no Hospital Arthur Ramos, em Maceió. Porque Rogério não era apenas mais um doente. Era um pedaço precioso da história política de Alagoas em cujo cenário desempenhou papel importante. Principalmente, pela forma inteligente, cordial e decente como exerceu os mandatos de deputado estadual, deputado federal, secretário de estado, prefeito de Arapiraca.

Com seu ar sereno, a voz calma e mansa – mas firme quando necessário – Rogério materializou ao longo da vida os conceitos morais que assimilou num ambiente familiar transbordante de educação. Em três décadas de atividade política, jamais praticou um ato sequer que comprometesse sua retidão moral.

Meu amigo, amigo de Arapiraca, amigo de Alagoas. Conheci-o no início da década de 1990. Ele, deputado estadual, eu, editor do Jornal de Alagoas. Três mandatos de deputado estadual sem sofrer nenhuma contaminação. Professor, diretor de colégio (o tradicional Bom Conselho, de Arapiraca) portou-se o tempo todo na Assembleia Legislativa como um legítimo educador.

Passei a admirá-lo exatamente pela postura. Admirava sua expressão  quase sacerdotal. Amigos, convidei-o e ele se fez meu compadre, padrinho de meu filho Reewison. Na Câmara Federal, fez um discurso vigoroso saudando a estreia deste Enfoque Político. Rogério atuou como professor, administrador, advogado, dirigente partidário, membro da OAB, mas deixou sua marca inconfundível como político digno e operante.

Elegeu-se prefeito numa jornada épica em 2016. Poderia ter sido antes, mas a política tem disso. Não fez muito, que o caos herdado não permitiu, mas honrou o seu povo com uma gestão limpa e com o exemplo do homem correto que sempre foi.

 

UM HOMEM DE ESTATURA MORAL SUPERIOR

A comoção popular causada pela morte de Rogério Teófilo mostrou que a gestão difícil, na Prefeitura, não arranhou a imagem admirada do homem público zeloso e eficiente. No velório, nas últimas homenagens públicas, o povo sentia que estava dando adeus a um homem público de estatura superior.

 

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Primeira Edição © 2011