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Estreou em 1973 como repórter do Diário de Pernambuco, do qual foi redator e editor setorial. Foi editor-geral do Diário da Borborema-PB, Jornal de Hoje e Jornal de Alagoas. Foi colunista político e editorialista de O Jornal. Exerceu os seguintes cargos: Coordenador de Comunicação da Assembleia Legislativa de Alagoas, Delegado Regional do Ministério do Trabalho, Secretário de Imprensa da Prefeitura de Maceió e Secretário de Comunicação de Alagoas. Atualmente é editor-geral do PRIMEIRA EDIÇÃO.

O verdadeiro milagre alagoano e o 'socorro' federal

05/01/2021 16:26

Inquestionável que o auxílio emergencial ajudou os estados. O socorro financeiro alimentou os pobres, mormente os que perderam a condição de sobrevivência por causa do isolamento social. A pandemia fechou a economia, desertificou as ruas do país e deixou milhões sem renda, isto é, sem o ganha-pão. Aliás, poderia ter sido mais crítica, a ajuda, se o Congresso tivesse aprovado apenas o valor de R$ 200, inicialmente proposto pelo governo. Ainda bem, acabou sendo elevado para R$ 600.

Agora, o que não faz sentido é dizer que sem ajuda federal Alagoas teria entrado em estado agônico nesse período de surto epidêmico. Nada a ver. Precisamente nesse lapso de crise sanitária, o governo de Alagoas fez investimentos vultosos com recursos próprios do Tesouro estadual. Construiu grandes hospitais, rodovias, investiu na humanização das grotas de Maceió, abriu escolas de tempo integral e, de quebra, pagou em dia ao funcionalismo. E ainda se deu ao ‘luxo’ de antecipar em 40 dias a liberação do 13º salário dos servidores em geral.

Ora, se o governo local devesse tudo isso a repasses extras do governo federal (lembrando que as transferências constitucionais não entram na conta), seria forçoso cobrar dos demais estado uma tão formidável agenda de investimentos. E, no entanto, sabe-se que muitos governos estaduais estão sem condições até de pagar a folha de pessoal e o abono natalino.

Estado falido não investe coisa nenhuma, mesmo recebendo ajuda federal. Alagoas investiu porque, seis anos atrás, o governo local fez rigoroso ajuste fiscal, fechou secretarias e órgãos perdulários, cortou gastos e renegociou sua dívida para com a União. Resultado: sobraram recursos para investimentos em áreas vitais como saúde, educação e segurança e não faltou – pelo contrário – para gastos contínuos com obras do sistema viário estadual.

Ao reduzir os juros da dívida pública, o governo Renan Filho fez gerar uma economia substancial, mês a mês, possibilitando o superávit que bancou os investimentos feitos até agora. Isso explica por que Alagoas ri, enquanto outros não param de gemer.

RENEGOCIAÇÃO DA DÍVIDA FOI GOL DE PLACA

A renegociação da dívida pública de Alagoas, feita sob influência do senador Renan Calheiros, então presidente do Senado, gerou economia mensal de cerca de R$ 50 milhões, com redução dos juros. Teotonio Vilela, quando governador tentou, sem sucesso, derrubar os juros. Renan Filho insistiu, insistiu – e conseguiu.

 

RUI PALMEIRA PODE ABRIR BANCA PARA ADVOGAR

O ex-prefeito Rui Palmeira volta à iniciativa privada (advogar seria uma das opções) e ainda não tem projeto político definido. Aliados mais próximos ao herdeiro político de Guilherme Palmeira avaliam que, em 2022, Palmeira poderá disputar um cargo majoritário, mas, preferencialmente, concorrerá a uma cadeira na Câmara dos Deputados.

 

PALANQUE DESARMADO, TRANSIÇÃO SEM PROBLEMA

A transição em Maceió se deu em clima de total urbanidade. As equipes de Rui Palmeira e JHC se entenderam o tempo todo. Nada de contratempo. Faltou, no final, divulgar um resumo do que o ex-prefeito passou para o novo, com prioridade para os números referentes às finanças do município.

 

A CONVERSA FIADA DA CÚPULA PETISTA

O PT não engana mais ninguém. Após ensaiar apoio a um adversário de Artur Lira, o comando nacional do partido abriu o jogo: só apoiará Baleia Rossi, do MDB, se ele se comprometer a desengavetar pedidos de impeachment contra Bolsonaro. Ou seja: sinaliza que vai votar, secretamente, no bolsonarista Artur Lira.

 

PAÍS DO PAPA FRANCISCO APROVA ABORTO

O Senado acaba de aprovar o direito de aborto às mulheres argentinas. A decisão foi comemorada com carnaval, apesar da pandemia. O mundo atual é isso aí: o primeiro país latino-americano a aprovar a liberação do aborto é o mesmo país que se orgulha de ter como filho o papa Francisco, líder da Igreja que não aceita a prática abortiva sob qualquer justificativa.

 

BRASIL TEM ROMBO DE R$ 700 BILHÕES EM 2020

O rombo orçamentário brasileiro, que alcançou cerca de R$ 140 bilhões na transição de Dilma para Temer, saltou agora com R$ 700 bilhões por causa da pandemia. Somente o auxílio emergencial sugou R$ 300 bilhões do Tesouro federal. Para se ter uma ideia, o Bolsa Família custa R$ 35 bilhões.

 

TRISTE EXEMPLO PARA A HISTÓRIA

Com toda confusão vista até aqui, e com um Ministério da Saúde acéfalo, o Brasil entrará para a história ensinando como não se deve agir durante uma pandemia. Na contramão do mundo, o governo brasileiro bombardeou o isolamento social  e, de quebra, criou mil dificuldades para definir um plano de vacinação coletiva. Antes, aliás, desestimulou a imunização.

 

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Breve mensagem de Ano Novo

26/12/2020 12:55

Aos leitores e amigos

Com as bênçãos do Criador, desejo para todos

que 2021 seja muito pior do que 2022, mas infinitamente melhor do que 2020!

Ano Novo de Alegria, livre de pandemia.

Boas festas!

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É hora de trabalhar, pois os problemas são muitos

07/12/2020 10:17

O prefeito eleito JHC pisou no acelerador e, rapidinho, fechou o ciclo de comemorações à vitória no segundo turno e começou a trabalhar. Já na terça-feira (1º) com equipe de transição formada, reuniu-se com Rui Palmeira dando início à coleta de informações sobre a situação do Município, no geral, e os compromissos da Prefeitura, em particular. Conhecer a estrutura orgânica da Municipalidade, os contratos, o orçamento para o novo ano, as pendências e, claro, a relação entre receita e despesa, confere ao futuro gestor o domínio de uma realidade que, durante a campanha eleitoral, se mantém distante e pouco visível.

A transição é um passo vital porque disponibiliza informações que permitem ao prefeito eleito e sua equipe planejar ações em consonância com as carências e disponibilidades do Município. No passado não existia transição. Os prefeitos eram eleitos em novembro e, sem contato efetivo com administração, ficam aguardando para assumir em 1º de março. Daí porque passavam ao menos seis meses (uma espécie de prazo consensual) fazendo o que ficou conhecido como ‘arrumação da casa’. Perdia-se um semestre inteiro escavando informações que, hoje, emergem transparentes poucos dias após a manifestação das urnas.

JHC assumirá em 1º de janeiro voltando suas atenções, em especial, para a progressão da folha salarial do funcionalismo, uma despesa inevitável que cresce, sempre, à frente da receita e, portanto, da capacidade de pagamento do município. Trata-se de um desafio que tende a se dimensionar com a cobrança, por parte dos servidores, de defasagens salariais adormecidas.

Por causa da pandemia, o governo federal abasteceu os municípios, sobretudo, as capitais, com recursos extras em 2020. E a boa notícia, para os novos gestores, é que o socorro financeiro emergencial não foi todo repassado para as Prefeituras. Rui usou parte desses recursos para pagamento de aposentadorias e pensões. A má notícia é que a conta não fecha nunca: o que se tem a arrecadar não cobre nunca o que se tem a gastar.

 

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Sucessão anterior prova que Renan Filho não perdeu eleição em 2020

30/11/2020 13:34

Apesar da derrota do candidato Alfredo Gaspar, que pertence ao MDB e contou com o apoio de Renan Filho, também emedebista, qualquer análise isenta do processo sucessório em Maceió deixa evidente que o resultado do segundo turno, com vitória expressiva do deputado JHC, não significa revés para o governador alagoano.

A sucessão na capital foi uma disputa adstrita e colocou no teatro da competição, como personagens, não apenas os candidatos, mas um eleitorado que reelegeu Rui Palmeira em 2016, mas já nesses últimos anos dava visíveis sinais de insatisfação.

Os fatos políticos, ainda que isolados no tempo, se conectam no contexto da relação histórica, e é dentro dessa ótica que a sucessão em Maceió, em 2016, mostra que Renan Filho não pode, de modo algum, ser apontado como derrotado no pleito que colocou no embate final os candidatos Alfredo Gaspar e JHC.

A lembrar: na eleição de 2016, Rui Palmeira disputou a reeleição e foi para o segundo turno com Cícero Almeida, candidato apoiado por Renan Filho e pelo senador Renan Calheiros, e que acabou sendo derrotado por larga margem de votos.

Ora, os opositores de sempre que hoje dizem que Renan Filho perdeu com Gaspar são os mesmos que, naquele processo eleitoral de 2016, viram o governador como o principal derrotado, argumento que seria absolutamente demolido dois anos depois, quando o mesmo Renan Filho se reelegeu governador com votação recorde em todo o estado, incluindo Maceió.

Ou seja, o candidato do governador (Cícero Almeida), perdeu a disputa sucessória na capital, mas a vitória massacrante de Renan Filho nas urnas de 2018 demonstrou cabalmente que o eleitor de Maceió não votou em Rui Palmeira para derrotar o governador, mas por uma opção entre um ex-prefeito que se elegera deputado federal e deveria seguir com seu mandato em Brasília, e um prefeito que, naquele momento, realizava um bom trabalho.

Esse texto se conclui com o enfoque de dois pontos:

1 – a aprovação eleitoral de Renan Filho era tão esmagadora, em 2018, que o senador Fernando Collor pôs a cara, se lançou candidato e, rapidinho, com números contundentes de pesquisas nas mãos, bateu em retirada alegando ‘falta de apoio’.

2 – Naquele momento, Renan Filho ainda não havia concluído a construção de cinco grandes hospitais no Estado, dois na capital e três regionais no interior, não havia revitalizado dezenas de grotas em Maceió e não havia alcançado os 1 mil quilômetros de rodovias construídas ou recapeadas em todo o Estado.

Isso explica porque, em outubro último, o Ibope mostrou o governador alagoano com 81% de aprovação popular em Maceió, somados os itens bom regular e ótimo. Em suma, uma coisa é votar no governador, outra é rejeitar candidato por ele apoiado.

 

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Uma explicação simples para a vitória do deputado JHC

30/11/2020 10:45

 

O deputado João Henrique Caldas, o JHC, venceu a eleição apoiado na palavra mágica ‘mudança’, que não constitui fenômeno, mas uma determinante do processo eleitoral. Prefeito se elege e se reelege, e pronto. Vem uma alternância, outro assume o poder para, quatro ou oito anos depois, passar o bastão.

Mas JHC não venceu a ‘disputa pessoal’ com Alfredo Gaspar, e não o poderia, pois isso representaria tremenda contradição do eleitor. O que prevaleceu foi o discurso centrado na palavra ‘continuísmo’, isto porque Gaspar, um estreante (o único realmente novo no processo) se conectou a Rui Palmeira, prefeito em final de segundo mandato. E o fato é que as pessoas queriam um nome novo, mas um novo que não significasse, em nenhuma hipótese, a continuação de um projeto que já se completara.

Neste espaço, eu disse repetidas vezes que Alfredo Gaspar era um nome para concorrer ao governo do Estado. Seu histórico como procurador de Justiça e como secretário de Segurança lhe credencia a participar de uma sucessão estadual. Sua derrota ecoa forte nesse momento, mas daqui a meses, os desafios da cidade, os problemas que o futuro prefeito terá de enfrentar, ajudarão a reabilitar e recompor a imagem do candidato vencido.

A campanha também pesou. A mais organizada, a mais insinuante foi a do Davi Filho, porém, no segundo turno, a de JHC superou em muito à do Gaspar. Na largada, Alfredo deveria ter sido apresentado como o ‘xerife’, palavra associada ao seu desempenho à frente da Segurança Pública, onde tirou Alagoas do topo da criminalidade no País. ‘Xerife neles’, simples e objetivo.

Mas, é o processo político. O eleitor, a maioria, optou por JHC sabendo que ele não terá como cumprir a maior parte das promessas. Não haverá meios, recursos para tal. Vai depender de ajuda federal e do próprio governo do Estado. Claro que ele, em campanha, não poderia dizer isso, mas é a realidade.

A alternância é um processo natural. Cícero Almeida, bom prefeito, tentou o terceiro mandato, após um intervalo, e perdeu feio para o próprio Rui Palmeira. Se não se desenganar com a política, após todo o desgaste da campanha e o resultado negativo, Alfredo Gaspar poderá emplacar um projeto eleitoral vitorioso mais adiante. O próprio tempo se encarregará de reabilitá-lo naturalmente.

E JHC, que no jogo eleitoral de 2016 chutou na trave, agora mandou para o fundo das redes e venceu a contenda com um gol

que entra para a história política de Maceió como memorável.

De parabéns, igualmente, o vice Ronaldo Lessa, cujo histórico político também pesou – e muito – a favor da campanha vitoriosa.

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Primeira Edição © 2011