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Estreou em 1973 como repórter do Diário de Pernambuco, do qual foi redator e editor setorial. Foi editor-geral do Diário da Borborema-PB, Jornal de Hoje e Jornal de Alagoas. Foi colunista político e editorialista de O Jornal. Exerceu os seguintes cargos: Coordenador de Comunicação da Assembleia Legislativa de Alagoas, Delegado Regional do Ministério do Trabalho, Secretário de Imprensa da Prefeitura de Maceió e Secretário de Comunicação de Alagoas. Atualmente é editor-geral do PRIMEIRA EDIÇÃO.

Por que Jair Bolsonaro lidera a corrida presidencial

18/06/2018 13:21

O capitão e deputado federal Jair Bolsonaro é um 'fenômeno político'? Não propriamente. Não foi sequer, ainda, testado nas urnas. Pelo menos em um pleito majoritário de grande dimensão, como uma sucessão presidencial, Mas, também, não é um personagem comum, um fugaz vencedor de pesquisas eleitorais efêmeras.

Jair Bolsonaro, tal como Fernando Collor em 1989, é o desaguadouro de mágoas e desilusões, a foz para onde correm as águas da amargura e da desesperança. Em tempos de crise, como agora, e de grandes mudanças, como a transição para a democracia, na era Collor, o povo precisa de um líder. E para milhões de brasileiros, para um universo cada dia maior de eleitores, Bolsonaro encarna esse guia pátrio, um Moisés moderno capaz de conduzir sua gente sofrida a um novo Brasil.

Não dá, ainda, para prever se sairá vtorioso, mas algo – muito importante – já está evidente: o capitão (do Exército) deputado federal e pré-candidato presidencial Jair Bolsonaro já passou por todo tipo de provação. Sua vida foi investigada, vasculhada, totalmente devassada, e até hoje só encontraram nele um defeito: a sinceridade, ou a incapacidade de dizer o que não sente. E talvez resida aí sua empatia com as massas. Afinal, o povo já não suporta a retórica da demagogia. O povo cansou de ouvir discursos retumbantes que, no fim, se traduzem em promessas frustrantes, porque irrealizáveis. E é nessa paisagem de descrença que Bolsonaro desponta como algo diferente e incômodo.

O capitão incomoda porque cresce apanhando. Até a Rede Globo bate, de forma oblíqua – com matérias críticas sobre o regime militar – mas não produz efeito. E o revide será letal, na campanha, quando Bolsonaro disser que os milhões de reais carreados atualmente para a mídia televisiva serão ‘desviados’ para a saúde, a segurança e a educação... com ele no poder.

Com seu jeito ‘mão pesada’, com seu verbo às vezes ferino, com sua franqueza talvez excessiva, Bolsonaro pode não ser o homem indicado para dar um jeito no Brasil cambaleante, mas cada vez mais brasileiros acreditam que sim, e isso é o que está contando.

 

SEM PREJUÍZO

Maceió briga com Rio Largo pela sede do Aeroporto Zumbi dos Palmares. A disputa é antiga e aqui vai uma sugestão: por que não dividir a receita entre os dois municípios, de forma proporcional?

 

LIBEROU GERAL

Liberado pelo presidente Temer, agora para todas as idades, o saque do PIS/PASEP vai injetar mais de R$ 39 bilhões na economia. E a popularidade de Temer diminuindo nas pesquias...

 

NÃO ESQUECENDO A MENSALIDADE SINDICAL

Fala-se muito em queda da receita dos sindicatos, após a reforma trabalhista que aboliu a obrigatoriedade do imposto sindical (um dia de serviço por ano).  Não custa lembrar, contudo, que a ‘contribuição sindical’ era cobrada apenas uma vez ao ano, enquanto a mensalidade (um por cento sobre os salários), como o próprio nome indica, entra no caixa das entidades todo mês.

 

NOTA REVOGADA

A propósito, o Ministério do Trabalho revogou a recente ‘nota técnica’ que considerava normal a cobrança do Imposto Sindical aos trabalhadores, mas após a vigência da reforma trabalhista.

 

SEGUNDAS INTENÇÕES

Os petistas não criticam Temer por enxergarem um mal governo. Sabem, claro, quer o vice está bem melhor do que o foi Dilma. Mas é preciso espicaçar Temer para preservar a ‘era petista’.

 

CHICO TENÓRIO GARANTE RETROATIVO A SERVIDOR

Graças a uma emenda do deputado Francisco Tenório, os servidores estaduais vão receber o reajuste salarial, na folha de junho, com o acréscimo do retrativo a 1º de maio (data-base do funcionalismo do Poder Executivo). O projeto de lei da revisão salarial de 2.95% já está aprovado. A retroatividade teve também a participação do deputado Bruno Toledo.

 

CONTRAMÃO LEGAL

Enquanto outros estados demitem e parcelam os salários, o governo alagoano concede reajuste salarial, paga a todo mundo em dia, nomeia concursados e ainda anuncia novos concursos.

 

NOVO CEZAR

Como disse a Coluna, a oposição continua procurando um Júlio Cezar para disputar a eleição com Renan Filho. O nome da vez é o do vice-prefeito Marcelo Palmeira, enteado de Biu de Lira.

 

CHEFE DE ESTADO, PAPA NÃO VISITA PRESO COMUM

O papa não enviaria emissário para visitar Lula ou qualquer preso comum. A visita de João Paulo 2 ao turco Ali Agca, que tentou matá-lo, foi um caso pessoal. O episódio recente, de um (negado) enviado papal para entregar um terço a Lula, foi uma tremenda roubada. O Vaticano negou tudo, péssimo para o PT. Só para lembrar: o papa é o líder religioso, mas também chefe de estado.

 

SEM GUERRA

O mundo viveu dias de tensão e angústia, ante a ameaça de uma guerra nuclear. Um ataque dos Estados Unidos contra a Coreia do Norte, devastador ou não, faria eclodir um conflito mundial.

 

NOBEL DA PAZ

China e Rússia reagiriam contra os EUA. Mas Donald Trump foi até Kim-Jong-um e resolveu a parada. Lembrando que, por muito menos, outras figuras ganharam o Prêmio Nobel da Paz.

 

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O Jornal Nacional e o coronel amigo de Temer

11/06/2018 18:11

A Rede Globo deve muito à Lava-a-Jato. Sua audiência, que atingiu o ápice no século passado, tinha as novelas como grande atração, mas um público enorme assistia ao Jornal Nacional. Era imbatível, com média superior a 50 pontos no Ibope.

Com a internet, o velho JN caiu para a casa dos 20 pontos, uma tragédia. Aí, como que providencialmente, estourou a Lava-a-Jato, e o principal jornal global voltou a atrair as atenções.

As denúncias de corrupção passaram a turbinar o noticiário do horário nobre. Primeiro, veio o impeachment da intelectual Dilma e, depois, as denúncias sobre corrupção detonando todo mundo – gregos e troianos, petistas e tucanos. Sem exceção.

Contudo, apesar do enfoque abrangente, do caráter generalizante do JN, o PT viu conspiração contra Lula, o PSDB sentiu marcação em cima do Aécio, o PMDB chorou por Romero Jucá.

E a Globo, nem aí. Tome denúncia! Com a delação da JBS, a intelligentsia global avançou e percebeu que ‘bater no Temer’ também rendia pontos no Ibope. Pobre Michel!

A repórter Andréia Sadi foi escalada só para levantar danos contra o presidente. Especializou-se. E estacionou, por dias a fio, no material sobre um tal ‘coronel amigo de Temer’. A audiência inflou tanto, que o coronel não saiu mais do noticiário. Todo dia, lá está ele, a patente precedendo o conteúdo da denúncia, com a Andréia Sadi alimentando o sisudo e guloso Jornal Nacional:

- Polícia Federal investiga coronel amigo de Temer.

- Coronel amigo de Temer é denunciado ao Ministério Público.

- Preso coronel amigo de Temer.

- MPF analisa denúncia contra coronel amigo de Temer.

- Procuradores veem indícios contra coronel amigo de Temer.

 A Rede Globo havia descoberto a combinação perfeita para magnetizar o público: um coronel envolvido com estripulias, e o presidente, culpado, enleado, por sua amizade com as dragonas.

Mas, afinal, como é mesmo o nome do coronel amigo de Temer?

 

NA CONTRAMÃO

Rodrigo Cunha segue na contramão do correligionário Rogério Teófilo. O deputado faz oposição sistemática ao governo Renan Filho, que tem dado especial atenção a sua terra, Arapiraca.

 

EXPERIÊNCIA

Rogério Teófilo, prefeito, faz exatamente o contrário. Cerca de atenções o governador, nas visitas a Arapiraca, e diz em alto e bom tom que só tem que elogiar as ações a favor do município.

 

SENADOR RENAN VOLTA A DEFENDER LULA

No momento em que o PT lançava vídeo na internet com a bandeira ‘Chama que o homem dá jeito’, dando início à pré-campanha de Lula, o senador Renan Calheiros postava nas redes sociais mensagem de apoio: “O Nordeste precisa de Lula livre”. Renan não pôde ir ao ato do PT, mas enfatizou no seu vídeo: “Lula tem direito a ser candidato porque não cometeu nenhum crime e está preso após ser condenado sem prova”.

 

BOLSONARO FIRME

Nova pesquisa Datafolha mostra que, sem Lula, Jair Bolsonaro lidera com folga a corrida ao Palácio do Planalto. Fernando Haddad, no lugar de Lula, teria apenas 1% dos votos.

 

 

 

TEMER COM 3%

O Datafolha também revela que a aprovação ao presidente Michel Temer está em míseros 3%. Governo é reprovado por 83% dos pesquisados. Outros 14% consideram a gestão Temer ‘regular’.

 

UM DESAFIO PARA O PRESIDENTE DO TRE ALAGOANO

Um dos grandes desafios do desembargador Carlos Malta Marques, presidente do Tribunal Regional Eleitoral, será motivar o eleitorado a comparecer em grande número às urnas de outubro próximo. Nesse sentido, o TRE-AL poderia promover, na mídia, uma campanha realçando a importância do processo eleitoral e da participação da sociedade com o voto livre e soberano.

 

SEM AVISO

Os vigilantes bancários de Maceió inventaram um novo tipo de greve: sem aviso prévio. A paralisação de sexta-feira, que pegou todo mundo de surpresa, veio de supetão, sem nenhum anúncio.

 

ALTO RISCO

O dólar disparou, está subindo, mas o risco é enorme para quem tentar especular (comprar para forçar alta). É que o Banco Central avisou que pode usar as reservas internacionais: US$ 300 bilhões.

 

UMA DIFICULDADE DE RUI PALMEIRA

O tucano Rui Palmeira tem mostrado pouca vocação para lidar com o funcionalismo. Sobretudo, quando se trata de resolver pendências salariais. Não é bom, politicamente, para o grupo do prefeito. Afinal, somando-se os servidores e seus familiares, têm-se aí um universo de 80 mil a 100 mil eleitores.

 

SEM CHANCE

O Congresso Nacional não avalizará a privatização da Eletrobras. Não o faria se Temer tivesse gozando de popularidade, quanto mais no fundo do poço em que o presidente se encontra.

 

ANO ELEITORAL

Também não vingará a tentativa de Temer de fazer o Parlamento aprovar a desestatização apenas das concessionárias de energia. Quem, afinal, aprovará venda de patrimônio em ano eleitoral?

 

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Estava escrito, e não tinha como dar certo

04/06/2018 15:30

O noticiário sobre a demissão de Pedro Parente, da presidência da Petrobras, veio recheado de matérias que realçavam os avanços da estatal petroleira sob seu comando. Não se esperava outra coisa. Antes, notadamente durante a greve dos carreteiros, a mídia se esmerava em divulgar fatos e opiniões críticas em relação a Parente, quase orquestrando um coro por sua destituição.

Agora, aos poucos, os meios de comunicação falam de Pedro Parente exalando certo tom saudosista, numa impressionante mudança de mix. Desde que Ivan Monteiro foi indicado para sucedê-lo, fartos espaços do noticiário são dedicados a mostrar como a Petrobras se recuperou nesses últimos dois anos. A versão digital do semanário O Globo divulgou que o preço do diesel no Brasil situa-se na média dos praticados no exterior. Foram citados países como França e Alemanha, que não produzem petróleo, o que obviamente explica combustíveis com preços altos.

De repente, esqueceu-se de que, graças à política de ‘reajustes quase diários’ da gasolina e do diesel – metodologia revolucionária e genial de Parente – o setor de transporte rodoviário do País beirou a insustentabilidade. A mobilização dos carreteiros não teve propósito político, foi um desabafo ruidoso e desafiante de um setor econômico escolhido seletivamente para tapar o rombo bilionário da Petrobras totalmente depenada.

Era evidente, no entanto, que o jogo de Pedro Parente estava com os dias contados. Como perpetuar uma sistemática de ‘reajustes quase diários’, dos combustíveis, quando os salários das pessoas são corrigidos uma vez por ano – quando são – e nunca acima da inflação que, no ano passado, não chegou a três por cento?

O neoliberal Pedro Parente sabia disso, como sabia que estava fazendo uma aposta de risco, mas seguiu em frente até o caldeirão explodir. Agora, porém, antes de trombetear os ganhos recentes da Petrobras, a mídia seria mais isenta se buscasse enfatizar o prejuízo de 50 bilhões de reais, causado pela greve do setor de transporte, e lembrasse que Parente estava enchendo o bolso dos acionistas da Petrobras com o dinheiro suado dos consumidores de gás de cozinha, da gasolina e do óleo diesel de todo o Brasil.

 

PRECEDENTE GRAVE

A greve (ou locaute) dos carreteiros não constituiu ‘um alerta’, como muita gente tem interpretado. Representou, na verdade, um precedente gravíssimo, numa área crítica e inflamável.

 

RENAN PERCEBEU

O senador Renan Calheiros foi um dos poucos políticos que, crítico do governo Temer, advertiu sobre os desdobramentos imprevisíveis dos aumentos constantes dos combustíveis.

 

ESTADO COM POUCOS REFLEXOS DA GREVE

Alagoas foi um dos estados menos atingidos pelo locaute. Maceió foi a primeira capital a ter o abastecimento dos postos de combustíveis restabelecido. A população sentiu isso, mas alguns políticos, não. Rodrigo Cunha, por exemplo, preferiu voltar o olhar para a alíquota do ICMS cobrado sobre combustíveis em Alagoas. Propôs reduzir a carga tributária, mas não indicou fonte para compensar a perda de receita.

 

SALDO POSITIVO

A greve dos carreteiros teve um reflexo positivo: a diminuição de automóveis nas ruas. Em Maceió houve queda na ocorrência de acidentes no trânsito, o que aliviou a movimentação no HGE.

 

NENHUM GANHO

A população começou apoiando a greve, mas logo percebeu o vacilo. No final, os vitoriosos são os empresários, patrões dos carreteiros. E o que o movimento rendeu para a população?

 

CAOS TERIA SIDO EVITADO COM MEDIDA SIMPLES

Se Temer fosse um governante minimamente ‘ligado’, teria percebido que a política de reajustes diários da gasolina e do diesel, adotada em julho do ano passado, pavimentaria o caminho para um levante como o dos carreteiros. Teria evitado todo esse sarapatel com uma medida simples e preventiva: a demissão de Pedro Parente do comando da Petrobras. Resultado: o homem saiu depois do tremendo estrago causado à economia do País.

 

REAJUSTE NA CONTA

Primeiro secretário da Assembleia, Marcelo Victor assumiu e cumpriu o compromisso de implantar o reajuste dos servidores do Legislativo (6%) em maio e dezembro. Primeira parcela já entrou.

 

SEM PROBLEMA

Antes da segunda parcela da data-base de 2016, Marcelo Victor mandará implantar, em agosto, mais um naco da antiga reposição de 15%, que já foi objeto de decisão do Tribunal de Justiça.

 

O REVOLUCIONÁRIO DA FERNANDES LIMA

Desinformada, parcela da população maceioense deu ouvidos a um ‘revolucionário’ que, com alguns sectários, plantou-se à frente do Quartel do Exército, bloqueando o trânsito na Av. Fernandes Lima. Dizia que a greve tinha prazo para acabar e, não havendo solução dentro do prazo, caberia intervenção militar. Coitado.

 

AGONIA TUCANA

Diante do previsível, a negativa do Tesouro Nacional de autorizar empréstimo externo, Rui Palmeira está tentando viabilizar um financiamento de R$ 35 milhões junto ao Banco do Brasil.

 

É DINHEIRO...

O montante está muito aquém do valor antes pretendido (menos de 10%), mas dará ao prefeito tucano a condição de fazer alguma coisa na capital, além de tapar buraco e limpar meio-fio.

 

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A Lava-Jato e a falência dos partidos

22/05/2018 14:17

As eleições de 2018 ficarão marcadas por algo que ninguém ousaria imaginar, três, quatro décadas atrás: a ruína moral dos partidos políticos. Um fenômeno com causa sobejamente conhecida: as denúncias de corrupção oriundas do rumoroso processo da Lava-a-Jato. Nenhuma legenda de peso escapou.

Na década de 60, após a instauração do regime militar, o sistema criou o bipartidarismo: Arena governo, MDB oposição. A sigla MDB (Movimento Democrático Brasileiro), que abrigava políticos de variados matizes partidários, cresceu, ganhou projeção e assumiu papel de legenda histórica. O regime sentiu e, mais adiante, ao permitir a criação de novas agremiações, só para alterar a marca gravada no imaginário popular, exigiu a colocação do ‘P’ (de partido) precedendo todas as siglas. Nascia, então, o PMDB – Partido do Movimento Democrático Brasileiro.

Com o terremoto da Lava-a-Jato, com os dirigentes das grandes legendas denunciados, os respingos sobre os partidos se tornaram inevitáveis. E como precursor, já prevendo a ‘onda mudancista’ que viria depois, o PFL saiu na frente e trocou de nome, passou a se chamar Democratas, ou simplesmente DEM. Outras mudanças sobrevieram: o Partido Popular virou Progressista, o PTN passou a ser Podemos e assim por diante. Até que alguém de dentro do velho PMDB, movido por essa tendência de ‘renovação nominal’, pensou em voltar às origens, a ideia ganhou aprovação geral e a marca MDB, criada durante o regime militar, acaba de ser restaurada, embora muita gente ainda não saiba.

Caminhamos, assim, para uma eleição afetada não apenas pela proliferação de partidos nanicos – autênticas siglas de aluguel – mas também pela debilitação moral de partidos políticos que escreveram a histórica da República, antes e depois da redemocratização. Eleição com dirigentes partidários comprometidos, expostos em ruidosos processos judiciais, e com partidos incapazes de empolgar a grande massa do eleitorado.

 

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Voto nulo não é protesto, é buricce

14/05/2018 13:43

Nos últimos meses, perdeu força a campanha do voto nulo. Bobagem sem tamanho, ideia de quem não tem ideia, o voto nulo não é recurso de quem não aceita as regras do jogo. É apelação inócua de quem não quer participar do jogo.

Mais do que isso: é simples resíduo da ‘arma’ usada contra o regime militar instaurado em março de 1964. Voto nulo e voto em branco. O primeiro, ainda sobreviveu como forma de protesto, mas o segundo pereceu depois que o governo militar, ardilosamente, decidiu que o voto em branco seria contado como voto de legenda a favor da Arena, o partido governista.

Hoje se diz que votar nulo é o caminho para alijar da vida pública os maus políticos. Não é. Mesmo se, em determinada eleição, houver mais voto nulo do que válido, os candidatos participantes ficam livres para disputar a próxima. Não se exclui ninguém, apenas adia-se a decisão, com mais despesas para a Justiça Eleitoral e com mais desgaste para o eleitorado em geral.

Compreende-se a insatisfação, a revolta, a indignação de parcela considerável da sociedade diante degradado cenário político nacional. Mas não se resolve isso com omissão. Não votar, se abster, ou votar nulo, são atitudes inconsequentes. Não produzem nada de afirmativo. Não levam a caminho nenhum, ainda que o gesto rebelde se revista de aparente inconformismo cívico.

Se o voto é a ‘arma da democracia’, o único instrumento capaz de operar mudanças, relevá-lo significa entregar tudo ao deus-dará. O mais grave: quando o eleitor se omite – abstendo-se ou votando nulo – ele permite que outros decidam em seu lugar. Perde, pois, o direito de reclamar e de protestar. Quem não participa, quem se exclui do processo sob qualquer invocação, só tem direito a lamentar e, obviamente, a pagar o preço da própria omissão.

 

SEM LASTRO

Com a falência do Grupo João Lyra, ficou claro que não existia lastro para pagar a todos os credores. É uma questão matemática: o rombo do Grupo era maior do que todo o seu patrimônio.

 

CAMINHO CERTO

O que a Justiça está fazendo é o que deve ser feito: priorizando o pagamento dos salários devidos aos milhares de trabalhadores do Grupo JL. Afinal, fazer justiça é olhar pelos mais fracos.

 

ROGÉRIO: O PREÇO PELA CONQUISTA DO PODER

Rogério Teófilo realiza um trabalho sério, competente, na chefia da Municipalidade de Arapiraca, mas paga o preço de ter chegado ao poder de forma surpreendente (embora em decisão justa e oportuna do eleitorado). Teófilo segue firme com sua gestão comprometida com o certo, mas sabe que não será esquecido pelos adversários inconformados com a derrota sofrida em 2016.

 

 

MELHOR ASSIM

Joaquim Barbosa desistiu da presidência em tempo hábil. É um homem com temperamento difícil, não teria como se relacionar com o Congresso. Talvez renunciasse na primeira crise.

 

RENÚNCIA AO STF

Cumpre lembrar que Joaquim Barbosa renunciou ao próprio Supremo Tribunal, de onde saiu, antes da expulsória, depois de ter mostrado raça ao condenar os quadrilheiros do mensalão.

 

ROSTAND RECEBE COMENDA LÊDO IVO NA ALE

Presidente da Academia Alagoana de Letras (AAL), o escritor Rostand Lanverly será homenageado pela Assembleia Legislativa nesta segunda-feira, 14 de maio. Em sessão solene programada para às 15h, no plenário da ALE, Lanverly será agraciado com a Comenda Lêdo Ivo, honraria instituída para homenagear personalidades que se dedicam à projeção das letras e da cultura de Alagoas

 

DOIS LADOS

Pedro Parente, presidente da Petrobras, não cabe em si de alegria com o lucro de R$ 6,5 bilhões no 1º trimestre. Triste está a turma que usa gasolina e gás de cozinha – com os preços nas alturas.

 

FRASE CÉLEBRE

Genial a frase de Pedro Parente: “Petrobras é diferente do que era antes da Lava-Jato”. Ora, se não tivesse mudado, obviamente o grande Parente estaria respondendo a processo por corrupção.

 

OS CORRELIGIONÁRIOS FORMAM O PARTIDO

O deputado Rodrigo Cunha precisa repensar sua atitude de convivência política. Não dá para, a um só tempo, recusar a companhia de correligionários suspeitos (ou denunciados) e se manter num partido cuja cúpula está atolada no esquema da Lava-Jato: Geraldo Alckmin, José Serra e o traquinas Aécio Neves.

 

BOLA DA VEZ

O próximo alvo de Rui chama-se Marx Beltrão. O deputado, que ainda pode se compor com o bloco de Renan Filho, será assediado para assumir a candidatura ao governo pela oposição.

AVE, JULIUS!

Com Teotonio Vilela, Benedito de Lira, Rui Palmeira, Rodrigo Cunha e Thomaz Nonô de fora do processo sucessório, nos bastidores já se prevê a escolha de um ‘novo Júlio César’...

 

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Primeira Edição © 2011