| Ag. Câmara |
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| Debate aconteceu nesta quinta, na Câmara Federal |
O professor da Divisão de Ciência da Computação do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), Clóvis Torres Fernandes, disse nesta quinta-feira, aos deputados federais, que analisou todas as urnas de Alagoas nas últimas eleições e concluiu que em 44,19% das 5.166 utilizadas na última eleição houve alguma perda de integridade. Em 1.619 foram detectados problemas na totalização de votos para governador, o que significou a perda de 22.562 votos. O número não é suficiente para alterar o resultado das disputas para Governo ou Senado.
O professor do ITA participa de audiência pública na Comissão de Constituição e Justiça sobre segurança das urnas eletrônicas. Ele fez três sugestões para amenizar os problemas: “voltar ao voto impresso enquanto não for possível garantir a auditoria do voto virtual; realizar teste de penetração para avaliar se a urna antes das eleições pode ser invadida; fazer uso de técnicas de criminalística computacional para exames mais detalhados das urnas suspeitas”.
Clóvis afirmou que sua pesquisa sobre o sistema eletrônico de votação nas ultimas eleições de Alagoas identificou problemas nas urnas, mas os dados não permitem afirmar que houve fraude nas urnas eletrônicas. A afirmação foi feita em reposta a questionamento do deputado Jutahy Junior (PSDB-BA) sobre o resultado da investigação feita pelo professor.
Jutahy Junior questionou o resultado da pesquisa, já que ele teria sido feita por encomenda do ex-deputado João Lyra, que concorreu ao governo e perdeu. Logo após as eleições, João Lyra pediu ao ITA que fizesse perícia em 35% das urnas eletrônicas. O deputado Ciro Gomes(PSB-CE) criticou a postura de Jutahy e afirmou que o professor deveria ser questionado apenas pelos resultados de sua pesquisa.
QUINTELLA - O deputado Maurício Quintella Lessa (PR-AL), autor do pedido para a realização de audiência sobre as urnas eletrônicas do TSE, alertou que vários estudos que mostram que o sistema é violável. Alguns desses estudos, segundo o deputado, indicam inclusive que, além de violável, o sistema não permite que eventuais fraudes sejam detectadas posteriormente. O parlamentar disse que só confia nas urnas em razão da garantia do Tribunal Superior Eleitoral de que o sistema é seguro.
Quintella explicou que um dos objetivos do debate hoje é avaliar a possibilidade de fraude nas eleições do ano passado em Alagoas. O deputado quer que, a partir das informações obtidas na audiência de hoje, a Câmara discuta mecanismos para melhorar o sistema de votação eletrônico.
PONTOS FRACOS - O engenheiro Amílcar Brunazo Filho, representante da entidade Fórum do Voto Eletrônico, afirmou que estudos recentes identificaram pelo menos 120 pontos em que o sistema eleitoral pode ser atacado. Segundo ele, são necessárias três pessoas para fraudar o atual sistema eleitoral. Uma pessoa, disse, estaria disposta a fraudar. O segundo participante seria alguém da Justiça Eleitoral que facilitasse a fraude. Uma última pessoa, segundo Brunazo, seria um fiscal de partido omisso ou incompetente, uma vez que teria várias oportunidades de detectar a adulteração.
LACRES - O TSE explica que todas as informações carregadas na urna eletrônica são identificadas pelas respectivas assinaturas digitais. Além disso, a urna recebe um lacre físico, e o programa só permite que ela funcione no dia e hora predeterminados. Após o encerramento da eleição a urna grava internamente o Boletim de Urna (BU), emite as vias impressas e grava, de forma cifrada, uma cópia em disquete. Essa cópia é transmitida para a central de totalização, que verifica se o BU pertence a uma seção eleitoral válida e se não há duplicidade.
De acordo com o TSE, hackers não conseguem acessar os programas das urnas eletrônicas porque elas não são conectadas em linha telefônica nem em rede de computadores.
por Redação c/ Agência Câmara