Delfim Neto prevê que 2006 não será bom para a economia
Ex-ministro está em Maceió para falar sobre conjuntura nacional
(01/09/2006 19:58)
“A economia brasileira vive um momento decepcionante se comparado a de outros países emergentes, que crescem a uma taxa de 6% a 8% ao ano”, disse. Ele também criticou a supervalorização do real e a taxa de juros – mais alta do mundo. “É um equívoco do Governo, manter o controle do câmbio, que produz uma valorização irreal da moeda, e isso só provoca o desaquecimento da produção nacional”, frisou. Apesar das críticas sobre a política econômica, o ex-ministro defendeu a independência do Banco Central e o sistema de metas de inflação. “Ela é regulatória e punitiva. Se os três atores da economia (empresários, trabalhadores e governo) não se entenderem, o BC tem mecanismos, como por exemplo, elevar os juros, para equilibrar as contas e não deixar que a inflação volte a crescer, fugindo do controle da meta estabelecida”, declarou. Delfim também defendeu um maior controle dos gastos do Estado, que para ele é um dos maiores problemas do Brasil. “Não defendo tirar direitos dos servidores, mas uma melhor forma para qualificar o trabalho e assim que o Estado seja mais produtivo, como faz, por exemplo, o setor privado, que gera riquezas para o país”, ressaltou. Sobre a alta carga tributária imposta pelo governo, o deputado foi taxativo. “É preciso uma reforma urgente, pois só quem paga o ônus é o setor produtivo do país, enquanto o Estado se alimenta cada vez mais de imposto. Por isso, costumo dizer que nós vivemos na ´InGana`: Um país que cobra impostos como a Inglaterra e oferece serviços de Gana”, comentou. Lula - Em relação ao alto índice do presidente Lula no processo eleitoral, Delfim Neto explicou que o presidente está colhendo o que plantou. “Pouco atentaram, mas ele está cumprindo o que prometeu na carta aos brasileiros. Ele disse que ia combater a fome (que agora faz através do bolsa-família, agricultura-familiar e outros programas) e não mudar a política econômica, por isso, ele atingiu em cheio o público dele”, disse. Perguntado pelo Primeira Edição Online se aceitaria assumir o cargo de ministro, do próximo candidato eleito a presidente, caso fosse convidado, Delfim Neto sorriu e respondeu: “Não! Ora tem gente muito mais jovem e capacitada do que eu no mercado, isso nem pensar”. BMC - Convidado para proferir palestra sobre a conjuntura da economia brasileira, Delfim Neto estava acompanhado do presidente do banco BMC, Jaime Pinheiro. A frente do banco há 30 anos, Pinheiro explicou que a instituição vem se ajustando às medidas econômicas do Governo, mas vem crescendo gradativamente através de novas operações. Ele revelou que uma das apostas do banco é no crédito em consignação para a casa própria que o governo deve lançar ainda este ano. “Estamos esperando para os próximos 4 anos um ´bumm` no setor da contrução civil, através dessa operação, o que vai proporcionar ao brasileiro realizar com maior facilidade o sonho da casa própria”, afirmou. por Pinehas Furtado |
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