O que Bolsonaro quer, o Lula já quis

18/11/2021 19:00

A- A+

Romero Vieira Belo

compartilhar:

No contexto da cultura política tupinambá, faz parte do jogo. O Auxílio Brasil que, de largada, toma ‘emprestado’ um verbete do socorro financeiro aos mais pobres, vitimados pela pandemia, e que ficou conhecido como ‘Auxílio’ Emergencial, é senão a única, mas a principal arma de que o presidente Bolsonaro espera dispor rumo à batalha pela reeleição no próximo ano.

Poderia ser rotulado de Bolsa Família 2, mas a número no final não apagaria, da memória dos milhões de beneficiários, a lembrança do ‘autor’ do programa, o ex-presidente Lula que, por sua vez, aproveitou-se de ferramentas criadas pelo antecessor – Fernando Henrique Cardoso – tais como Bolsa Escola, Vale Gás, Vale Transporte, Vale Alimentação – ao final reunidos todos em um só composto denominado de Bolsa Família.

Aliás, Lula também mexeu em outro título muito conhecido: trocou o Cefet, antes conhecida como Escola Técnica Federal, por IFE, que vem a ser o hoje disseminado Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia. O petista também assumiu a paternidade do Fundeb, sepultando o Fundef de FHC.

Ao copiar a desenvoltura do ex-presidente Lula, Bolsonaro atua com a expectativa e o entendimento pessoal de que o Auxílio Brasil lhe renderá generosos dividendos eleitorais, do mesmo modo que se diz do petista em relação ao Bolsa Família.

Mas não se trata de algo com precisão matemática. Distante disso. Se o Bolsa Família, que significa dinheiro no bolso de milhões de famílias, tivesse o poder políticos que muitos lhe atribuem, Dilma não teria vencido a sucessão presidencial com margem mínima sobre Aécio Neves, assim como Fernando Haddad não teria levado o banho que levou do capitão Bolsonaro.

Além do mais, há que considerar o valor do novo programa. Um teto de R$ 400 – já proposto e anunciado pelo governo – é uma boa grana mensal, mas quem vier a recebê-lo sentirá o impacto da desvalorização causada pela inflação. E não faltará quem, com os R$ 400 no bolso, resmungará dizendo que, “se fosse o pai Lula, daria o dobro ou mais”...

É isso aí.

Primeira Edição © 2011