E o Paulinho - quem diria - virou um esquerdinha afoito

23/04/2019 13:15

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Romero Vieira Belo

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O Paulinho sempre pareceu, na telinha da TV, um sujeito urbano, comportado. Seu trejeito no falar não ofende, sequer incomoda. É só uma marca... De repente, um excesso. O disciplinado Paulinho irrompeu contra o ministro Sérgio Moro. Movido por uma coragem jamais exibida, chamou Moro de ignorante, analfabeto – um apedeuta. Não vi nem ouvi, soube. Por isso, duvidei. O Paulinho, despejando diatribes em cima do doutor Moro?

Bêbado, pensei. Só podia estar etilizado. O álcool não só deprime o homem, como dizia Rui Barbosa, também dá-lhe coragem... Coragem fugaz, de tresloucado. “Por que será que o Paulinho não imprecou quando moro era juiz?” – disse para meus botões. Agora, o ex-global descobriu que pode agredir à vontade, que o homem não é mais magistrado. O Paulinho conhece seus limites.

É um esquerdista. Da esquerda que se nutre da miséria, mas não se mistura, e só se embriaga com champanhe francês. A esquerda órfã de Lula na cadeia, órfã do poder tomado pelo povo.

Como ‘canhoto político’, Paulinho devia se ajoelhar e pedir perdão: “Nós, esquerdistas, perseguimos, prendemos, torturamos e matamos 43 milhões de pessoas na Rússia”. E completar, numa crescente: “E executamos 102 milhões na China”. Paulinho sabe que isso não é versão de direita, é uma verdade histórica.

Paulinho afrontou o homem que mudou o Brasil. Chamou de analfabeto o autor de uma das mais perfeitas sentenças da história do Judiciário brasileiro. O que pode mover uma pessoa a agredir um inimigo implacável da corrupção? E por que será que Paulinho não ultraja, também, os desembargadores, do TRF-4, e os ministros – do STJ e do STF – que endossaram a sentença de Moro contra Lula? Ou será que Paulinho é tão intimorato quanto José Dirceu, que se escondeu, disfarçado, durante o regime militar, enquanto os amigos achavam que ele lutava bravamente?

A esquerda que está aí não vive no século 20, só age como tal, pois sabe que parte do povo despolitizado ainda engole o discurso da miséria, sempre celebrado com champanhe e caviar.

Mas, surpreende, ver o Paulinho – com sua impostação vocal de néscio – vestindo fantasia de esquerdinha afoito.

 

O COMANDO DO SUPREMO TRIBUNAL ERROU FEIO

Não precisa ser jurista. Qualquer estudante de Direito sabe que um poder não pode, a um só tempo, investigar, acusar e julgar. Logo, o presidente do Supremo, Dias Toffoli, e seu colega Alexandre Moraes, cometeram um ‘erro intencional’ ao ignorar o Ministério Público Federal e dar sequência a investigação de supostas ameaças e ofensas aos membros da Corte.

 

BANCADA PETISTA: QUEM TE VIU, QUEM TE VÊ

Claro que a oposição cumpre seu papel, ou atribuição, ao obstruir a tramitação da PEC da Previdência ou qualquer proposição originária do governo. Mas, só para o leitor se situar, vale a pergunta: o que fez a bancada do PT quando o governo Lula propôs, absurdamente, a taxação dos aposentados?

 

UM ‘CUSTO’ MAIOR DO QUE O ‘BENEFÍCIO’

Se Dias Toffoli e Alexandre Moraes entendessem o mínimo de comunicação, não teriam censurado a revista Crusoé nem o site O Antagonista. Pois a medida excepcional, não apenas aguçou a curiosidade geral quanto à citação de Toffoli na Lava-Jato, como produziu uma divulgação incrível desses meios de informação.

 

ENFIM, O ‘VOTO VENCIDO’ DEU ‘UMA DENTRO’

Membro da bombardeada 2ª Turma do Supremo Tribunal, o espinafrado ministro Marco Aurélio Mello deu ‘uma dentro’ e enriqueceu seu currículo ao se insurgir contra censura à imprensa. Nesse episódio d’ O Antagonista e da revista Crusoé, o que impressiona é que dois ministros – Toffoli e Alexandre – atentaram contra algo que eles – assim como os demais ministros – só têm o direito de defender: a Constituição Federal.

 

RENAN PREGA FOCO EM INVESTIMENTO E EMPREGO

Sem radicalismos, o senador Renan Calheiros entende que o momento recomenda bom senso. Ou seja, em vez de buscar conflitos com o Supremo Tribunal Federal, mediante criação da CPI da Lava-Toga, o Senado deve se concentrar em ‘temas focais’ voltados para investimentos e geração de emprego.

 

RUI E SERVIDORES – A BUSCA DO ENTENDIMENTO

Nesta segunda-feira (22) Rui Palmeira e o secretário de Gestão, Reinaldo Braga, retomam a negociação com as lideranças dos servidores públicos. Vão tentar fazer ajustes nos projetos, enviados à Câmara e retirados a seguir, para evitar cortes de vantagens legais percebidas por milhares de funcionários.

 

E A ENTREVISTA DA FOLHA COM LULA?

Por que será que a Folha de S. Paulo não correu para entrevistar Lula, após a liberação do ministro Dias Toffoli? Ano passado, a Folha estrilou por ter sido impedida de ouvir o petista, cumprindo ordem do ministro Luiz Fux. Óbvio: o que movia a Folha, em 2018, era o interesse de fazer de Lula um cabo eleitoral de Fernando Haddad, na disputa presidencial...

 

Primeira Edição © 2011