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O sinal dos tempos
Nelson Ferreira

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(20/01/2010 15:54)

O SINAL DOS TEMPOS
O direito de opinar, de dizer o que pensa, é sagrado. Voltaire, o mestre libertário francês, já proclamava; “Discordo de tudo que dizes, mas defenderei até à morte o direito de vos dizê-lo”. Pois é. Aqui e ali se ouve alguém afirmar que o aquecimento global não passa de balela, de conversa fiada. Pode até ser, o futuro dirá, mas que deu a louca no tempo, disso ninguém pode discordar.
Tragédias naturais sempre houve, desde aquelas relatadas na Bíblia (a maior, sem dúvida, foi o ‘dilúvio universal’) até às atuais. Ao longo dos séculos, a Terra tem sido atingida duramente, em alguns casos, devastada, por catástrofes como terremotos, erupções vulcânicas, tsunamis, vendavais, ciclones etc. Os acidentes geológicos e climáticos dos, digamos, tempos modernos, não são obviamente novidade. Mas a questão climática, essa está aí para ser estudada, avaliada., compreendida e levada a sério.
No Brasil, por exemplo, seca e enchente sempre compuseram uma antítese regionalista: a primeira assolando o Nordeste, a segunda castigando principalmente o Sudeste. Mas, nas últimas décadas, o desequilíbrio ecológico tem sido constante. Tão constante e acentuado que as famosas ‘estações do ano’ já não são marcantes, diferenciadas como eram em passado não muito remoto. Chove demais, fora do normal, no verão, enquanto o sol calcina em pleno inverno. No Nordeste já não se distingue muito inverno de verão, primavera de outono. O horizonte parece cada dia mais impregnado de sinais dos tempos.
Só um exemplo rápido: no ano passado, uma seca imprevista atingiu os estados do Sul, especialmente o Rio Grande, Uma grave estiagem no Sul! . No mesmo período, entretanto, enchentes devastaram parte do estado de Santa Catarina. De dezembro para cá, mais destruição: chuvas intensas castigaram São Paulo e o Rio de Janeiro, numa proporção nunca vista antes. Dá para encarar isso dentro de uma ótica de normalidade? Claro que o tempo está mudado.
O fato é que o desequilíbrio ecológico tem obrigado o homem a pagar um tributo muito alto. Tributo por sua própria imprudência. No plano global não seria exagero afirmar que a humanidade, nos últimos 60 anos, causou mais destruição ao planeta do que nos últimos dois milênios... A emissão de gases tóxicos, as queimadas, a devastação das florestas, a poluição dos rios – tudo isso tem a ver com a desordem climática que se abateu sobre a Terra. E o pior é que não há sinais, graves, de que o homem esteja disposto e pronto para se redimir e buscar uma alternativa salvadora.
Inescapável, portanto, diante de tudo isso, uma perguntinha incômoda: no atual ritmo, com suas reservas naturais se esgotando e com a mão humana atentando contra o meio ambiente e a vida, como estará o minúsculo planeta Terra daqui 100 ou 200 anos?...

 

 
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